quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Eduardo Campos, A Carta-Testamento de Getúlio, A Eternidade e Minha Insônia com Dor de Dente

Amarrando os cavalos no Obelisco, 1930.

Golpe de Vargas em 1930, Rio de Janeiro.
 

Como trabalho à noite, a insônia anda me acompanhando. Desde que voltei das férias, não consegui me readaptar por completo e voltar as belas noites de sono.
   Nesta madrugada, acabei deixando a cama e vim escrever pra ver se enrolo uma dor de dente incômoda. Lembrei dos meus avós. Principalmente, meu avô paterno, seu "Chico Alfaiate", alguém que já citei com carinho nestas páginas.
   Meu avô tinha em sua parede a "Carta-Testamento" de Getúlio Vargas. Com. muito orgulho, ela ficava pendurada na cozinha. O extenso texto que, logo que aprendi a ler, fiz questão de devorar. As questões políticas, suas explicações, os avanços do país, a Petrobrás, não lembro de nada. A única coisa que recordo é a última frase: "saio da vida para entrar na história".
   Meu avô tinha um ferimento na perna. O que ele nos contava é que tinha levado um tiro na posse do Getúlio como presidente em 1930. Seu Chico participou do "Trem da Esperança", que levou Getúlio Vargas e as tropas gaúchas até o Rio de Janeiro para ser empossado presidente da República e os gaúchos amarrarem os cavalos no Obelisco, no centro da Cidade Maravilhosa. Pelo que eu li, mais tarde, só houve um único tiro até a chegada de Getúlio na capital carioca. Minha avó nunca desmentiu meu avô. rsrsrs
   Venho contar essa história que surgiu na minha mente nesta madrugada de insônia e dor de dente porque não há como não ter se surpreendido com o acidente do candidato à presidente e ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Primeiro, que acidentes aéreos no Brasil, apesar de nossa bagunça ordenada, são raríssimos. E segundo, logo às vésperas de uma eleição. Não conheço seu histórico como homem público ou político, mas existe uma expressão que diz que "se conhece um gigante pelo dedo". Sendo neto de Miguel Arraes, a boa política fazia parte de sua cultura. E ter cinco filhos, é sinal de alguém que tinha amor a oferecer.
     Não quero comparar Campos com Vargas. Isso é impossível. A base de nossas conquistas trabalhistas e estrutura de sociedade é um legado de Vargas. E sua idolatria pelo povo era quase do Ayrton Senna em seu acidente fatal. Mas me fez refletir sobre a vida e ver que Getúlio tinha razão em sua frase. E que meu avô, seu Chico, sem saber, também se eternizou. Entrar na história das pessoas que amamos e sermos lembrados com carinho.
 
   Esse é o maior legado que podemos deixar.


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