domingo, 19 de novembro de 2017

O Nexo (Poema)







Reconheço
que ando hostil
enquanto
o mar bravio
ignora
minha calmaria.
Parece ironia
contar lentamente
os dias
e manter a sintonia
na companhia
da solidão.
Na pressa da multidão,
nos atos sem compaixão
ou na canção
que não tem poesia,
meu coração
sente a empatia
das pedras,
brinca entre frestas
e festeja
a própria insanidade.
Enquanto a cidade
corre em suas vaidades,
sirvo um café
sem qualquer pretensão
de ter razão
em minhas verdades.
Apenas te quero
mesmo que não haja
nenhum nexo
nos versos
que acabei
de escrever.

Cristian Ribas

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Insensível (Poema)







Me ame
insensivelmente,
com teu jeito
descrente
nos meus atos
inocentes.
Não seja indiferente
quando o mais 
coerente
é somente
abandonar
o lar 
que ainda há
em meu peito.
Não há enganos
no amor insano
que repousa 
contigo.
Vem comigo,
como uma canção
que o refrão
não sai da cabeça
e o coração
ignora as certezas.
E na sutileza
da brisa 
em sua cabeça, 
tua alma
sentirá a beleza
do que meus olhos
jamais esconderam.

Cristian Ribas

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Por Acaso (Poema)








Gosto de ouvir
tua voz
dizendo que nós
não estamos sós
por acaso.
Não há atraso
do destino
em teus passos
ou mergulho raso
em teu oceano 
profundo.
Invado teu mundo
pra ficar,
pra admirar,
transformar
e ser transformado.
Pra plantar
meu amor
e colher a flor
da cor
dos teus sonhos.
Pra refletir
teus olhos
no meu sorriso bobo
que não pode disfarçar
o quanto desejo
te beijar.
E em segredo,
a cada dia
amanheço 
como sol
que ilumina
teu luar.

Cristian Ribas

sábado, 11 de novembro de 2017

A Entrega (Poema)







Você me surpreende
com teu jeito inocente
na lingerie indecente
que seduz
meus sentidos.
Apague a luz
pra eu me encontrar
bem devagar
em teus gemidos,
na vontade
de me prender
na tua liberdade
e ser infinito
em seu delírio
de mulher.
Deite em meu peito
e descanse
ofegante
enquanto minha mão
brinca em seu cabelo.
Sinta
como o amor
é sereno
e tudo se torna
pequeno
quando as almas
se encaixam.
E enquanto
as horas passam,
tudo faz sentido.
Pois não escondo
o sorrido
de adormecer
contigo
e te entregar
meus sonhos.

Cristian Ribas

domingo, 5 de novembro de 2017

O Objetivo (Poema)






Me dê a palavra
que se encaixa
na tua vontade.
Me deixe completar
tua frase,
um sujeito oculto
sem predicados
soltando o verbo
pra se tornar
seu objeto direto.
Não é complexo
eu ser anexo
em tuas teorias.
Sou só o dia
que alivia
a madrugada 
mais longa,
um mero adjetivo,
que de tão simples,
se tornou bonito
em teu sorriso.
E se não era
o objetivo
ter me encontrado,
quis o ato falho
ser teu maior acerto.
Sou o amor
sem medo
de um começo
em teus olhos.

Cristian Ribas

Meu Abraço (Poema)








Deixa 
eu te prender
em meu abraço,
te proteger
nesse espaço
onde os sonhos
se libertam.
Sinta
enquanto teus olhos
se fecham
e meus braços
te apertam
junto ao meu peito.
Ouça o jeito
que meu coração estrangeiro
pulsa descompassado
por ter tocado
tuas fronteiras
e derrubado as barreiras
no silêncio dos desejos.
E sem falar
ou questionar,
você sabe,
que vim pra ficar
e transformar 
meu abraço
no teu lugar
preferido.

Cristian Ribas

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Jeito Estranho (Poema)







Me perdoe
se te acordei
com meus sonhos.
É meu jeito estranho
de mostrar
que o amor
veio pra ficar.
Sei que são
dias insanos,
onde nossos planos
parecem não fazer
nenhum sentido.
Mas fica comigo,
segura minha mão,
que serei teu abrigo
nas noites de escuridão.
Te deixarei solta
ao brincar 
em tua boca
e provar contigo
a felicidade
das pequenas coisas.
E nesse sonhar
acordado,
estarei ao seu lado,
como um menino
encantado
que encontrou
o seu lugar.

Cristian Ribas

Árido (Poema)








Em minha defesa, 
tive a boa intenção
de buscar
a redenção
em teus lábios.
Seria mais sábio
não voar
como os pássaros,
não se entregar
ao máximo,
já que amar
não é
para os fracos.
Mas revelo
meus erros
como um segredo
a céu aberto
só pra te ter
mais perto.
E que flor
por amor
resistiria
ao deserto?
Me tornei
árido.
Mas não se engane,
pois sigo ávido
por teus carinhos,
por mais que
os espinhos
ainda estejam
em mim.

Cristian Ribas

Obs: Escrita ao som da nova música de Liam Gallagher, "For What It's Worth".

sábado, 21 de outubro de 2017

Libertação (Poema)






Você está sentindo?
A brisa 
que desfila
em teus cabelos,
a onda
que se choca
em teu peito
num momento
de libertação?
Sei que
seu coração
achou
que a solidão
fosse o destino,
um fino traço
de heroísmo
nos tempos
de resignação.
Mas foi uma lição
em tempos
de escuridão
pra brilhar
sua própria luz.
Então,
segure minha mão
nesse mar infinito
cada vez
mais bonito
refletido
em seus olhos.

Cristian Ribas

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Coroas de Papel (Poema)









Não encontro
a porta
do teu céu
de nuvens tortas,
tardes cinzas
e coroas de papel.
Como um réu
injustiçado
de doces pecados
sem absolvição,
planto o amor
em terras de solidão,
num coração
incapaz de brotar.
E ao esperar
pela semente,
esqueço
como a gente
chegou
até aqui
e como sorrir
era mais fácil
na tua boca.
Pois nem tudo
foi passado
com gosto amargo.
Havia doçura
na forma
mais pura
que você pode
provar.

Cristian Ribas

P.S.: Poema escrito ao som de "Paper Crown", de Liam Gallagher

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A Sorte (Poema)







Não vou
empilhar
as palavras
em vontades
vagas
que ficam
acumuladas
em tua poeira.
Não é besteira
desejar
teu prazer
e cair na fronteira
por temer
que teus medos
sejam mais fortes
que nossa
coragem.
Teu olhar
é uma viagem
sem volta,
uma porta 
que me transporta
sem hora
pra retornar.
E nesse jogo de azar,
tive sorte
de te encontrar,
onde os sonhos
se encaixam
e os corpos falam
quando as bocas
se calam
com um beijo.

Cristian Ribas

O Servo (Poema)






Sem querer
eu pensei
em você
sem pensar
nas consequências,
sem entregar
as indecências
que clamam
teu corpo
e pedem
inocência.
Disfarço
meu olhar
que teima
te admirar 
enquanto o caos
encontra a paz
da tua voz
dizendo
pra eu ficar.
Me controlo
pra não cheirar
teu cabelo,
me atirar
de joelhos
ou te roubar
um beijo.
Suporto
o jogo de cena
com a obediência
de servo,
pois te quero
além do tempo,
além dos ritos
que lentamente
se quebram
até adormecer
em teu peito.

Cristian Ribas

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Teu Reino (Poema)







Disfarça
enquanto o horizonte
te abraça
na estrada
de nossos carinhos.
Amo o caminho
que percorro
até teu paraíso
se abrir
em meus sonhos.
Um instante raro
de abençoado
pecado
coroado
em teu gosto.
Brilho no escuro
da luz eterna
que emana
de tuas pernas,
que percorre
tuas formas
e transforma 
meus sentidos.
E no passar
das horas, 
não tenho pressa.
Sou só
um menino
preso em teus seios
e liberto
nas fronteiras 
do teu reino.

Cristian Ribas