sábado, 10 de fevereiro de 2018

Futebol de Botão: Eterna Paixão (Escudinhos Estilo Gulliver)



   Sábado de carnaval. Desvio de qualquer sinal da "festa da carne", entre partidas de futebol e o velho rock embalando meu dia. E entre o almoço, roupas limpas e faxina, meu coração infantil deixa se levar pela expectativa de mais uma Copa do Mundo que se aproxima. E nessa espera, bateu uma saudade forte de quando eu, ainda criança, chegada num supermercado, bazar ou banca de revistas, e era possível encontrar times de botão da Gulliver à venda. Sempre com dois escudos a escolher. E permitindo pra que, no meu imaginário, eu fosse capaz de criar as partidas mais fantásticas, incríveis, históricas e inesquecíveis que o futebol de botão jamais viu. Lembro que, ao ver a Copa de 19986, no México, a seleção da Bélgica me chamou a atenção após um jogaço contra a União Soviética. Como não existia o escudinho, lembro que desenhei a bandeira belga, colei em botões vermelhos e escrevi a escalação em cada jogador. Me orgulhava de ser o único no bairro que possuía aquela seleção que terminou em quarto lugar na Copa de Maradona.
   Então, pra dar vida a essa nostalgia que pairou em meu peito, resolvi fazer no paint cartelas de botão "Estilo Gulliver". Sou um autodidata nesse troço e confesso que não tenho o dom que gostaria pra deixá-los perfeitos. Mas foram feitos com o coração e alma infantis. Propositalmente, busquei escudos das décadas de 1970 e 1980 pra fazê-los. E darei vida àqueles jogos épicos que ficaram na minha memória e que jamais irão se apagar no meu sorriso infantis.

 
Alemanha Ocidental


 
Alemanha Oriental

 
Argentina

 
Áustria

 
Bélgica

 
Brasil

 
Dinamarca

 
Escócia

 
Estados Unidos

 
França

 
Hungria

 
Inglaterra

 
Irlanda do Norte

 
Iugoslávia

Marrocos

 
México

 
Polônia

 
Suécia

 
Tchecoslováquia

 
União Soviética

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Mesmo Jeito (Poema)








Deixe a noite
esconder
o dia,
enquanto
a poesia
passeia
em tua
geografia.
Deixe o caos
lá fora,
em cantigas
mudas,
notícias surdas
e manchas
transparentes.
Te quero
contente,
brincando
na rua,
dançando
na chuva
e adormecendo nua
com sua alma
ao meu lado.
Não há pecado
nas vontades
que residem
no abraço apertado,
no beijo guardado
e no teu corpo
colado
ao meu.
Sou eu
que resido
em teu peito
do mesmo jeito
que você mora
em mim.

Cristian Ribas

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

O Brinquedo (Poema)









Você sente
o que sinto,
quando as luzes
se apagam
e me encontro
em teu rito
de lábios mornos
e coração reativo.
Sou menino
em teu jogo criativo,
no tabuleiro
do teu corpo
e na alma
de teus mitos.
Deixo minha peça
encaixar
em tua jogada,
ser vítima
no olhar
que me desaba,
me arrebenta
e me deságua.
Te exploro
por dentro,
em cada sopro,
toque e sentimento,
de passos lentos
e amor intenso.
Pois você deseja
o meu desejo
e o que vejo
é que me entrego
como brinquedo
sem tempo
pra acabar.

Cristian Ribas

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Um Blues (Poema)













Me perdoe
se acordei
sem acreditar
que meu lugar
está no seu abraço.
Me sinto
um blues
na madrugada,
de baixo discreto
e solos de guitarra
que se eternizam
na encruzilhada
de tua pele.
Sei que me sente
como um presente
que chegou
de repente
entre noites longas
e vontades latentes
que se perdiam
no tempo.
E no templo
do teu corpo,
sou devoto
aos teus desejos.
Então,
me peça
pra ficar
e te amar
onde as horas
não possam
nos alcançar.

Cristian Ribas

Obs: escrito ao som de "The Thrill is Gone", com B.B. King e Eric Clapton.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

A Valsa (Poema)








Teu olhar
é incapaz
de ver
meu coração
sangrar.
Sigo 
em morte lenta,
alma suspensa,
além do palco
de suas crenças.
Brinco de voar
sem que
o corpo saia
do lugar.
Sou apenas brisa
no temporal,
a raiz do vendaval
que acalma
tuas incertezas.
Te vejo
como princesa
em minha monarquia,
o que resta de pé
na valsa das ruínas.
E se ainda duvida
de minha intenção,
te darei
a democracia
de escolher
o dia
que meu sonho
será tua
realidade.

Cristian Ribas

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Seus Milagres (Poema)








Não diminua
quem construiu
a lua
sob a chuva
de um verão
que nunca
morreu.
Adormeceu
no horizonte
um pouco antes
dos planetas alinharem
e os lábios
se tocarem
como os sábios
sempre avisaram
que seria.
Na geografia
dos corpos,
na filosofia
dos copos,
no renascer
dos sonhos mortos
no contorno
do teu olhar
que é capaz
de me alegrar
com seus milagres.
E se não posso
discordar
da verdade,
quero a realidade
do teu abraço.
Pois, enquanto
o tempo se perde
no espaço,
me refaço
no teu sorriso
adormecido
que desperta
em mim.

Cristian Ribas

Novamente (Poema)








Maldita madrugada
que de forma
silenciosa
transforma
um conto de fadas
em temido pesadelo.
Reconheço
minha falta
de zelo,
mas tudo
parece pequeno
se não sinto
teus dedos
acariciando
meu rosto.
Não me arrependo
de abrir o peito
enquanto o tempo
corre contra
os anseios
dos sonhos
que perdemos.
E enquanto 
a vida ironiza
o que queremos,
ainda te desejo
por mais
que teus medos
amarrem o futuro
e nos deixem
no chão.
E meu coração,
mesmo machucado,
se liberta
em teu abraço
e acredita
que é fácil
voar novamente
somente
em teu céu.

Cristian Ribas

domingo, 10 de dezembro de 2017

Impregnado (Poema)







Estou 
com o fogo
do teu corpo
em minha alma,
a forma
das tuas curvas
em meus sonhos
e teu gosto
em meus lábios.
Me sinto
impregnado
do teu cheiro,
desse desejo
tão concreto
que se dissolve
em teu abraço.
Desfaço
teu penteado
pra te ver
mais bela,
te provocar 
um sorriso
e te admirar
inteira
a cada peça
de roupa 
que cai.
Na respiração ofegante,
no olhar insinuante
ou no toque delirante
que te distrai,
você me encanta
e desfaz
qualquer receio
de amar
se apagar
em teu gozo.

Cristian Ribas