quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Além da Vontade (Poema)








É melhor
não imaginar
aonde você está.
Quais as roupas
que te cobrem,
os braços
que te envolvem
ou os lábios
que te sorvem.
Prefiro pensar
que tudo está
em seu lugar.
Amores perdidos,
encontros marcados,
dias bonitos
e adeus sem abraço.
É melhor acreditar
que sou somente
um tolo na colina
que a vida ensina
diariamente.
E entre egos 
e vaidades,
aprendo a amar
a liberdade
além da vontade
de estar
ao seu lado.

by Cristian Ribas

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Contragosto (Poema)









Você sabe
onde estou,
como tudo
ficou
e pra onde
vou?
Você me enxerga
pela janela,
nas gotas espessas
do inverno
que desabrochou
primavera?
Você desenha
meu rosto
a contragosto
quando as estrelas
te abandonam?
Você sente,
de repente,
seu coração
ecoando
nossa canção
quando o amor
não te ouve?
E você imagina
o dia
sem meu sol
a te iluminar?
Melhor
não questionar.
Deixar a vida
com sua lida
e ignorar as placas
pela estrada
que nos pedem
pra parar.
Pois te amar
não é presença.
Só a conseqüência
de quem serei
e tu serás
na seqüência
do que virá.

by Cristian Ribas

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A Simetria (Poema)










Amo te ver solta,
desfilando nua,
deixando a roupa
espalhada
pela casa.
Amo te ver 
descabelada,
com o lençol 
na cara
pra cobrir o sol
que ousa 
despertá-la.
Amo esse jeito 
desastrada,
que fica molhada
ao limpar a pia,
que se queima 
na cozinha
e que se queixa
por nada.
Amo quando 
fica dengosa,
me abraça
com demora 
e não me solta
de nenhuma maneira.
Amo tuas besteiras,
o mau humor 
de segunda-feira,
a pressa atrapalhada
e o nervosismo
de quando 
está atrasada.
Amo teu olhar
que sabe 
como derrubar
minhas barreiras,
me faz invadir
tuas fronteiras
e me seduzir
de todas as maneiras.
E, ao final do dia,
amo tua companhia,
teus ritos cotidianos,
as situações vividas
e a simetria
de nossas vidas
em cada adormecer.

by Cristian Ribas

Fique (Poema)











Venha cá
me abraçar
enquanto a chuva cai
e a noite vai
se despedindo.
Não brigue comigo.
Só complete o vazio
do que se partiu
e me preencha
com teus lábios.
Não sou tão sábio
pra impôr verdades
mas há necessidade
do teu corpo
junto ao meu.
Não vou questionar
o que se perdeu
ou competir
pra saber
quem mais sofreu.
Somos só você e eu.
Sem vaidades,
egos ou feridas.
Permita que te sirva
a bebida
enquanto a comida
fica pronta.
Que contemos histórias
que inexistam na memória
até se esquecer a hora.
Que dancemos
sem canção,
até seu coração
bater aqui dentro.
E quando tiver
que ir embora,
fique.
Em meu beijo,
em meu cheiro
e minha alma.
Pois quando
o sol nascer lá fora,
saberá que está 
onde só o amor
pode te tocar.

by Cristian Ribas

domingo, 6 de agosto de 2017

Minha Natureza (Poema)








Pensei
que eu era forte.
Um humano
de sorte,
superior
a morte
e suas tolas
condições.
Nas ilusões,
fui resistente,
tentando ser
coerente
num mundo
insano.
Mas teus olhos
castalhos
mudaram 
meus planos,
transformando
a certeza
no mais belo 
dos enganos.
Respirei teu ar,
me tornei teu lar
e meu mundo
mudou de lugar.
Estava em ti
tudo o que esperei
sentir
sem querer
admitir.
E quando pensei
que não voltaria
a sofrer,
sangrei
sem perceber
que você 
partiria.
E desde
aquele dia,
a beleza
da minha natureza
se perdia
e não sei mais
se sou capaz
de encontrar.

by Cristian Ribas

O Nocaute (Crônica)











   Ainda sinto a dor. Deitado em minha cama, sinto como se ela roubasse meus movimentos. Me imobilizasse, como um veneno mental em looping que me paralisa. Uma dor permanente que adormece meus sentidos e me deixa aqui, estagnado, imóvel, sem a intenção de me mexer, falar ou comer. Somente, sentir a dor na minha alma. 
   Pude sentir o paraíso. Seu gosto, toque, calor, cheiro. Entreguei meu coração sem medo. Abri meu peito com a certeza que o destino tinha sido perfeito. Na minha ignorância, parecia ter entendido seus desígnios. A ironia de cada tropeço, de cada equívoco, de cada escolha, que me levaram até aquele instante. Eu sabia que tinha encontrado a recompensa. Com todas as imperfeições, era perfeita. Com todas as adversidades, tinha a minha medida. Rimava com minha história. Tinha a mesma essência e glória por caminhos distintos. 
   Eu subi no ringue confiante. Estava determinado e preparado. Estava focado pra que tudo desse certo. E eternamente grato pela oportunidade. Em nenhum momento, me senti acoado, dominado ou jogado às cordas. Tudo era questão de tempo para a glória. Mas, quando eu menos esperava, quando tudo era melhor do que eu poderia imaginar, baixei a guarda e levei um golpe tão duro que não houve defesa. Meus olhos escureceram, minhas pernas fraquejaram, e a única coisa que pude sentir foi a lona amortecendo meu rosto sangrando. Mesmo não entendendo o que estava acontecendo, consegui me levantar. Me apoiando nas cordas, ficando na defensiva, mas ainda de pé, lutando sem as mesmas força e confiança. Mas, eu segui ali. E mesmo com o coração sangrando, o orgulho ferido, as crenças desfeitas, eu ainda resistia. Mas, jamais pensei que um segundo golpe fosse tão forte e devastador. Nocaute. Sem forças ou tempo pra se levantar. Não havia mais como lutar. Somente aceitar que tudo estava perdido.
   Passado o tempo, percebo que meu corpo se recuperou, mas sinto um rombo em meu peito, como se meu coração tivesse ficado naquela lona. Não tenho mais o mesmo brilho nos olhos, a mesma paixão pela luta ou a mesma capacidade de se entregar sem medo. Fui vencido com requintes de crueldade. E o que resta é encontrar a felicidade por outros caminhos.

Cristian Ribas

sábado, 5 de agosto de 2017

All Star (Poema)









Não posso negar
que sinto falta
do teu All Star
e a vontade
de estar
ao teu lado.
De ficar acordado,
de rosto colado
enquanto toca
aquela canção,
sentindo atração
pelas tuas 
calças rasgadas
e a camisa desbotada
daquela banda
que vimos o show.
De cantar
sem se importar
em desafinar
e deixar
transpirar
toda a emoção
de dançar
contigo.
De esquecer do tempo
e sentir por dentro
o amor
que teus olhos refletem.
E ao ouvir 
aquele velho 
rock'n roll,
saber que o sonho
não acabou
e que ainda estou
na tua alma.

by Cristian Ribas

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Esqueça (Poema)










Feche os olhos.
Esqueça
meu nome,
as cores
que te cercam
e as flores
que te deram.
Esqueça
as dores
que te acompanham,
os amores
que te deixaram
e os senhores
que te subjugaram.
Feche os olhos
e apenas sinta.
Minha respiração
em seu ouvido,
meu gemido
em tua boca
e teu coração
em minhas mãos.
Sinta o esquecimento,
o breve momento
em que nada mais
importa.
Sinta eu percorrer
teu destino
como um menino
que cresce
dentro de ti.
No movimento
que toca
teu ventre
e acende
todo o teu
corpo.
Eu sou
tua cor,
que cega 
teus olhos.
Eu sou
a dor,
que transborda
teu gozo.
Eu sou
o sabor,
que saliva 
teus sentidos.
Eu sou
o senhor
que explora
teus prazeres.
E sou o amor,
que te invade
sem piedade
e te preenche
enquanto a noite
eterniza
teus dias.

by Cristian Ribas

domingo, 30 de julho de 2017

Estranhos (Poema)









Somos estranhos
que nos encontramos
ao acaso.
Mas ao te ver,
pude perceber
que te desejava
antes de nascer.
Você era
a resposta
que eu escrevia
atrás da porta.
O sonho
sem rosto
que iluminava
o sono.
O sorriso bobo
que volta e meia
pousava
em meus lábios.
Sem te conhecer,
já te queria.
Por fé, crença
e sintonia.
Como uma história
já escrita
que não sabíamos
ler.
E ao te ver 
passar,
te deixo levar
no olhar,
a um lugar
onde só a lembrança
descansa.
Mas ao te ver
partir,
devo admitir
que somos só
estranhos,
cruzando caminhos
que o amor
não alcança.

by Cristian Ribas

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Fita Cassete (Poema)









Gravei sua música 
numa fita cassete
como uma súplica
que se repete
na minha cabeça.
Sou um velho
adolescente,
de mãos suadas,
olhar carente
que esquece 
o antes
pra te encontrar
agora.
Sei que o mundo
lá fora
não tem 
a mesma beleza,
mas nessa correnteza 
que nos molha
ainda temos força
pra nadarmos
contra.
Me deixa sentir
o que passa aí dentro
nesse momento
em que os corpos
se tocam.
Ouça meu walkman
enquanto dançam
as estrelas
no teu céu.
E quando a música
acabar,
volte a tocar
até me amar
de volta.

by Cristian Ribas

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Sem Falar de Amor (Poema)








Não vamos
falar de amor.
Apenas me doe
o seu calor
na madrugada 
e segure 
minha mão
pela estrada
até a hora
de ficarmos
sozinhos
pelo caminho.
Não é pessimismo
ver a solidão
como destino.
É somente
o realismo
de quem aprendeu
que a vida
é o momento
que se torna
eterno
em teus braços.
Então,
me deixe
um pouco
da tua essência
enquanto brincamos
de indecências
sem se preocupar
quando o amanhã
irá chegar.
Só sinta
meu amor
agora,
pois o mundo
lá fora
ainda pode
esperar.

by Cristian Ribas