segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

O Brinquedo (Poema)









Você sente
o que sinto,
quando as luzes
se apagam
e me encontro
em teu rito
de lábios mornos
e coração reativo.
Sou menino
em teu jogo criativo,
no tabuleiro
do teu corpo
e na alma
de teus mitos.
Deixo minha peça
encaixar
em tua jogada,
ser vítima
no olhar
que me desaba,
me arrebenta
e me deságua.
Te exploro
por dentro,
em cada sopro,
toque e sentimento,
de passos lentos
e amor intenso.
Pois você deseja
o meu desejo
e o que vejo
é que me entrego
como brinquedo
sem tempo
pra acabar.

Cristian Ribas

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Um Blues (Poema)













Me perdoe
se acordei
sem acreditar
que meu lugar
está no seu abraço.
Me sinto
um blues
na madrugada,
de baixo discreto
e solos de guitarra
que se eternizam
na encruzilhada
de tua pele.
Sei que me sente
como um presente
que chegou
de repente
entre noites longas
e vontades latentes
que se perdiam
no tempo.
E no templo
do teu corpo,
sou devoto
aos teus desejos.
Então,
me peça
pra ficar
e te amar
onde as horas
não possam
nos alcançar.

Cristian Ribas

Obs: escrito ao som de "The Thrill is Gone", com B.B. King e Eric Clapton.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

A Valsa (Poema)








Teu olhar
é incapaz
de ver
meu coração
sangrar.
Sigo 
em morte lenta,
alma suspensa,
além do palco
de suas crenças.
Brinco de voar
sem que
o corpo saia
do lugar.
Sou apenas brisa
no temporal,
a raiz do vendaval
que acalma
tuas incertezas.
Te vejo
como princesa
em minha monarquia,
o que resta de pé
na valsa das ruínas.
E se ainda duvida
de minha intenção,
te darei
a democracia
de escolher
o dia
que meu sonho
será tua
realidade.

Cristian Ribas

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Seus Milagres (Poema)








Não diminua
quem construiu
a lua
sob a chuva
de um verão
que nunca
morreu.
Adormeceu
no horizonte
um pouco antes
dos planetas alinharem
e os lábios
se tocarem
como os sábios
sempre avisaram
que seria.
Na geografia
dos corpos,
na filosofia
dos copos,
no renascer
dos sonhos mortos
no contorno
do teu olhar
que é capaz
de me alegrar
com seus milagres.
E se não posso
discordar
da verdade,
quero a realidade
do teu abraço.
Pois, enquanto
o tempo se perde
no espaço,
me refaço
no teu sorriso
adormecido
que desperta
em mim.

Cristian Ribas

Novamente (Poema)








Maldita madrugada
que de forma
silenciosa
transforma
um conto de fadas
em temido pesadelo.
Reconheço
minha falta
de zelo,
mas tudo
parece pequeno
se não sinto
teus dedos
acariciando
meu rosto.
Não me arrependo
de abrir o peito
enquanto o tempo
corre contra
os anseios
dos sonhos
que perdemos.
E enquanto 
a vida ironiza
o que queremos,
ainda te desejo
por mais
que teus medos
amarrem o futuro
e nos deixem
no chão.
E meu coração,
mesmo machucado,
se liberta
em teu abraço
e acredita
que é fácil
voar novamente
somente
em teu céu.

Cristian Ribas

domingo, 10 de dezembro de 2017

Impregnado (Poema)







Estou 
com o fogo
do teu corpo
em minha alma,
a forma
das tuas curvas
em meus sonhos
e teu gosto
em meus lábios.
Me sinto
impregnado
do teu cheiro,
desse desejo
tão concreto
que se dissolve
em teu abraço.
Desfaço
teu penteado
pra te ver
mais bela,
te provocar 
um sorriso
e te admirar
inteira
a cada peça
de roupa 
que cai.
Na respiração ofegante,
no olhar insinuante
ou no toque delirante
que te distrai,
você me encanta
e desfaz
qualquer receio
de amar
se apagar
em teu gozo.

Cristian Ribas

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Despertar (Poema)








Já sobrevivi
a manhãs escuras
e noites em claro
pelo simples fato
de meu sonho
não dormir.
É difícil admitir
que a porta
se fecha
enquanto a janela
se quebra
para o sol entrar.
Devagar entendo
que o tempo
passa depressa
enquanto a primavera
muda de estação.
Já acompanhei
a solidão
quando o coração
aprendeu
a se amar.
E ao abandonar
minhas certezas,
pude ver
com clareza
que a beleza
sempre está
a despertar
em mim.

Cristian Ribas

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Tuas Esquinas (Poema)







Te esperei sem notar,
que o tempo
devagar
me trazia
você.
Nas mesas vazias,
nas cadeiras viradas,
na manhã molhada
que chovia
sobre a vontade
de te ver.
Desbravei a liberdade
e te acordei
por desejo,
pelo café quente
e lábios mornos
que aquecem 
meu peito
e refletem
em teus olhos
a alegria do encontro.
Sei que pareço louco
e abusado
por ter te acordado
enquanto os dias
deixaram de sonhar.
Mas, enquanto
houver amor,
só resta a coragem
pra amar
e procurar
tuas mãos
me levando
pra passear
em tuas esquinas.

Cristian Ribas

sábado, 25 de novembro de 2017

Gratidão (Poema)










Onde você nasceu,
de que fonte
você bebeu
e qual destino
te escolheu?
Qual caminho
você percorreu,
que amor
você viveu
e qual dor
adormeceu?
Quantas vezes
você morreu,
se perdeu
e renasceu
quando tudo
parecia sem sentido?
Qual a cicatriz
que te deixa 
mais feliz
e que vitória
você se 
arrependeu?
Qual a viagem
te deu a coragem
de deixar
sua bagagem
para trás
e refazer
a paisagem
em seu olhar?
Quando você
entendeu
que tudo
o que ocorreu
tinha um motivo
pra fortalecer
teu riso?
E quando
você compreendeu
que o segredo
é não permitir
que o medo
seja o condutor
de seus passos?
Simplesmente,
sou grato.
Por tudo
o que foi
e por aquilo
que será
desenhado
em sua alma
e refletido
em seu olhar.

Cristian Ribas






domingo, 19 de novembro de 2017

O Nexo (Poema)







Reconheço
que ando hostil
enquanto
o mar bravio
ignora
minha calmaria.
Parece ironia
contar lentamente
os dias
e manter a sintonia
na companhia
da solidão.
Na pressa da multidão,
nos atos sem compaixão
ou na canção
que não tem poesia,
meu coração
sente a empatia
das pedras,
brinca entre frestas
e festeja
a própria insanidade.
Enquanto a cidade
corre em suas vaidades,
sirvo um café
sem qualquer pretensão
de ter razão
em minhas verdades.
Apenas te quero
mesmo que não haja
nenhum nexo
nos versos
que acabei
de escrever.

Cristian Ribas

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Insensível (Poema)







Me ame
insensivelmente,
com teu jeito
descrente
nos meus atos
inocentes.
Não seja indiferente
quando o mais 
coerente
é somente
abandonar
o lar 
que ainda há
em meu peito.
Não há enganos
no amor insano
que repousa 
contigo.
Vem comigo,
como uma canção
que o refrão
não sai da cabeça
e o coração
ignora as certezas.
E na sutileza
da brisa 
em sua cabeça, 
tua alma
sentirá a beleza
do que meus olhos
jamais esconderam.

Cristian Ribas