domingo, 24 de setembro de 2017

Meu Toque (Poema)







Me toque
além do tempo,
no sopro do vento
como instrumento
de teu desejo.
Me toque
sutilmente,
de forma lenta
e surpreendente,
no ritmo das vontades
que tua intimidade
transborda.
Me toque
com sensualidade,
gana e intensidade,
onde a melodia
te invade
na simetria lasciva
da pele
que se encaixa.
Me toque
sem pudor,
receio ou temor,
do jeito que for,
pois só o amor
pode sentir
o quanto estou
dentro de ti.

Cristian Ribas

Manhã Cinza (Poema)








Há algo
em seu olhar
que me faz
imaginar
o quanto a vida
gosta
de me encantar.
Nessa manhã cinza,
de ruas vazias
e passos apressados,
te admiro
cada vez mais linda
ao meu lado.
Sei que é só
um breve momento,
de ponteiros atrasados
e lapsos do tempo,
mas brinco 
em seu cabelo
e roubo teu cheiro
pra perfumar
minha alma.
Desconheço
a melhor forma
de ser grato
pelo amor
e seus pecados,
mas percorro
o caminho do teu corpo
e adormeço
em seus atalhos.
E num ato falho,
renasço
ao te ver partir,
sabendo 
que ficará aqui
pra sempre.

Cristian Ribas

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Desobediente (Poema)







Gosto do vinho
como caminho
até teus lábios,
como atalho
de um coração
desencontrado
guiado
por teus encantos.
Adoro o beijo
devagar
na intimidade
do teu olhar,
explorar 
teu jeito
de me jogar
em teus seios
e me empurrar
até teu ventre.
Perceber 
teu tremor
ao brincar de amor
entre tuas pernas
e você implorar
para que eu entre.
E na teimosia,
fico na ironia
de te enlouquecer
desobediente.
Com meu sorriso indecente
e o desejo latente
no prazer
da minha ousadia.

Cristian Ribas

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Atemporal (Poema)









Não posso 
ser ateu
ao te ver
tão bela
novamente
pela primeira vez.
Morri
ao renascer
sem perceber
que tuas pernas
sonharam
em abrir
a primavera
que te plantei.
Foi no mês que vem
que acordarei
dormindo
em tua alma
na falta
que teu fogo
apagaria.
Eu brinquei
com a ironia
de que um dia
sou teu.
Você não percebeu
que eu já estava
na hora marcada
que nunca chegava,
naquela estrada
que teu corpo pereceu
enquanto gozava.
Não estava confusa
quando sua blusa
deixará nua
o que sempre 
foi meu.
Não importa o tempo,
seu futuro
de pretérito imperfeito
que me levou
onde em você
eu já estava.
Sou atemporal,
no amor animal
que teu Deus
nos deu
por redenção.

Cristian Ribas

P.S.: Poema escrito ao som de "Foi no Mês Que Vem", de Vitor Ramil

domingo, 17 de setembro de 2017

Doce Antídoto (Poema)







Não tenho nada
pra te dar,
além do meu olhar,
meu lugar
e minha alma.
Nesses tempos
de tempestade,
ainda sou calma
na calamidade,
sou asas
sobre a cidade
que se perde
em vaidade.
As contas
não estão pagas,
meus objetos
não valem nada,
mas entre sombras
sou uma luz clara
que teima
em não apagar.
Se tudo parece
sem sentido,
vem me abraçar
que te sirvo
de abrigo.
Sou amante,
um amigo,
um doce antídoto
que cura
de forma pura
teus medos.

Cristian Ribas

sábado, 16 de setembro de 2017

Livre (Poema)








Não posso mudar
como teu olhar
me provoca
e nem apagar
a palavra
que sai 
da tua boca
e me machuca.
Melhor calar
com um beijo 
inconsequente
antes que a gente
esqueça
o que realmente
importa.
O amor é reto
enquanto andamos
em linhas tortas
e fechamos as portas
que deveríamos abrir.
Vem me abraçar
pra pôr o mundo
em seu lugar,
aparar as arestas
e cicatrizar
as feridas
que deixamos
abertas.
E quando o dia
partir,
te farei sorrir
e voar livre
no amor
que me prende
aqui.

Cristian Ribas

Ares de Milonga (Poema)









Mantenho a esperança
nessa dança
do tango
dos guarda-chuvas
pelas ruas
da capital.
Um rito natural
de passos acelerados,
pés molhados
e corações secos
que correm
pelo labirinto dos medos
pra se encontrar
no lugar
de onde partiram.
Observo pela janela
essa aquarela gris
de matiz insana
e almas coloridas,
de longos caminhos
e breves despedidas
que partem
sem me conhecer.
Fique para um café
numa tarde qualquer
enquanto os dias fogem
e fazemos história.
Fique pra uma conversa
sem promessas,
de risos leves,
biscoitos doces
sonhos recheados
e mil folhas.
Fique por ficar
sem se importar
com o que
ganhará em troca.
Apenas fique
e me abrace
sob a chuva
sem demora,
nesse tango sem hora
com ares de milonga
que o amor teima
em dançar.

Cristian Ribas

P.S.: Poema inspirado pela canção "Ramilonga", de Vitor Ramil.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Formalidades (Poema)










Não repare
se pareço distraído
ignorando os ritos
de convivência.
Estou preso
em teus encantos
e viajando
em indecências
que te desejam
sem clemência.
Poderíamos falar
sobre o clima, o ar, 
um agradável papo de bar,
mas poderíamos pular
essas formalidades
para eu te amar
de verdade?
Pra que conversar
sobre política e educação,
teorias e religião,
se o que mais quero
são minhas mãos
te despindo,
beijos invasivos
e teu gozo infinito?
Quero tua pele nua,
passear em tuas curvas
e mergulhar
sem parar
até transbordar
o teu mar.
Quero transpirar
em teus poros,
ser tua dor
e socorro,
o paraíso trêmulo
do nosso prazer. 
E quando saciarmos,
rirmos e adormecermos,
vou te despertar
com meu olhar
enamorado,
o café servido
e o beijo 
que você havia
esperado.

Cristian Ribas

domingo, 10 de setembro de 2017

Breve Vida (Poema)







Disfarço
meu traço
de cansaço
pra receber
teu abraço.
Renasço
em teu laço,
como um passo
que faço
por distração.
Você sabe
que meu coração
endureceu.
Perdeu
sua essência
de dependência
e transformou
a negligência
em asas coloridas.
Não restaram
feridas
ou verdades 
distorcidas.
Meu olhar
é de uma
breve vida
que não combina
com lamentos.
Sou todo
agradecimentos
pelo que foi,
pelo que será
e o que fica,
na chegada tardia
e na repentina partida.
Sem questionar.
Somente amar
teu mar
que me faz
navegar.

Cristian Ribas

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Vagante (poema)








Vou vagar
no olhar
que me ignora
mas me devora
em pensamento.
Eu sei
que sigo
aí dentro
guardado em segredo
como um doce tormento
que saboreia
teus lábios.
Sou o tempero
em teus hábitos,
o toque rústico
no ambiente prático
dos teus atos,
o saboroso caos
que quebra o mal
e te leva às alturas
da forma mais pura.
Sou teu erro
no paraíso,
o vazio preenchido
refletido no sorriso
de um amor bandido
que te prende
à liberdade
que sonega a vaidade
pra se transformar
em prazer.
Pois eu sei
que vai me querer
toda vez
que me ver
e não poderá
esconder
o que sente.

Cristian Ribas

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Um Homem Nu (Poema)








Não sou
minha função,
posição ou condição.
Sou o coração
que bate acelerado
quando te toca
e a respiração
que sufoca
quando não está
por perto.
Não sou
as pessoas
que comando
ou as ordens
que executo.
Sou a criança
com medo do escuro
e que pula o muro
pra admirar o mundo
em teu olhar.
Não sou as roupas
que me cobrem,
os pratos
que me servem
ou os objetos
que utilizo.
Sou o beijo
sem hora,
o prazer 
sem demora
e a tua pele
arrepiada
na minha carícia.
Não sou
meu nome, 
títulos, 
rótulos
ou condecoração.
Sou apenas
um homem nu
de alma transparente
que te sente
cada vez mais
dentro de mim.

Cristian Ribas