quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Eduardo Campos, A Carta-Testamento de Getúlio, A Eternidade e Minha Insônia com Dor de Dente

Amarrando os cavalos no Obelisco, 1930.

Golpe de Vargas em 1930, Rio de Janeiro.
 

Como trabalho à noite, a insônia anda me acompanhando. Desde que voltei das férias, não consegui me readaptar por completo e voltar as belas noites de sono.
   Nesta madrugada, acabei deixando a cama e vim escrever pra ver se enrolo uma dor de dente incômoda. Lembrei dos meus avós. Principalmente, meu avô paterno, seu "Chico Alfaiate", alguém que já citei com carinho nestas páginas.
   Meu avô tinha em sua parede a "Carta-Testamento" de Getúlio Vargas. Com. muito orgulho, ela ficava pendurada na cozinha. O extenso texto que, logo que aprendi a ler, fiz questão de devorar. As questões políticas, suas explicações, os avanços do país, a Petrobrás, não lembro de nada. A única coisa que recordo é a última frase: "saio da vida para entrar na história".
   Meu avô tinha um ferimento na perna. O que ele nos contava é que tinha levado um tiro na posse do Getúlio como presidente em 1930. Seu Chico participou do "Trem da Esperança", que levou Getúlio Vargas e as tropas gaúchas até o Rio de Janeiro para ser empossado presidente da República e os gaúchos amarrarem os cavalos no Obelisco, no centro da Cidade Maravilhosa. Pelo que eu li, mais tarde, só houve um único tiro até a chegada de Getúlio na capital carioca. Minha avó nunca desmentiu meu avô. rsrsrs
   Venho contar essa história que surgiu na minha mente nesta madrugada de insônia e dor de dente porque não há como não ter se surpreendido com o acidente do candidato à presidente e ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Primeiro, que acidentes aéreos no Brasil, apesar de nossa bagunça ordenada, são raríssimos. E segundo, logo às vésperas de uma eleição. Não conheço seu histórico como homem público ou político, mas existe uma expressão que diz que "se conhece um gigante pelo dedo". Sendo neto de Miguel Arraes, a boa política fazia parte de sua cultura. E ter cinco filhos, é sinal de alguém que tinha amor a oferecer.
     Não quero comparar Campos com Vargas. Isso é impossível. A base de nossas conquistas trabalhistas e estrutura de sociedade é um legado de Vargas. E sua idolatria pelo povo era quase do Ayrton Senna em seu acidente fatal. Mas me fez refletir sobre a vida e ver que Getúlio tinha razão em sua frase. E que meu avô, seu Chico, sem saber, também se eternizou. Entrar na história das pessoas que amamos e sermos lembrados com carinho.
 
   Esse é o maior legado que podemos deixar.


terça-feira, 12 de agosto de 2014

Grenal 402 - A Derrota da Civilidade

   Tivemos Grenal no último domingo em Porto Alegre. No primeiro clássico do novo Beira Rio, vitória colorada por 2x0. Natural pelos últimos anos. Mas, como alguém que presenciou alguns destes embates in loco, fiquei entristecido por ver algo além das quatro linhas.
   Minha esposa é colorada e, como se diz na fronteira do Rio Grande do Sul, sou gremista de quatro costados. Nem por isso, brigamos. Aliás, na final do campeonato gaúcho, eu e meu primo Marcelo (também gremista) fomos pra cozinha fazer cueca virada, enquanto minha esposa e a dele, Fabi (coloradas!!!), vibravam com a vitória alvirrubra. Após o jogo, tomamos um maravilhoso café. Onde quero chegar?
   Após uma Copa do Mundo fantástica, de torcedores caminhando juntos pelas ruas e vibrando nas arquibancadas, voltamos a trágica realidade do futebol brasileiro. O Grêmio teve direito a apenas 1.300 ingressos para o clássico. Bem diferente das décadas anteriores, quando os estádios eram divididos entre 60% e 40%. E bem abaixo dos 10% do Estatuto do Torcedor. Esses poucos torcedores, como não bastasse, saem de um ponto de encontro e vão até o estádio escoltados pela Brigada Militar. Passam por um brete pra não cruzaram com os torcedores do mandante. Mas, mesmo com todos esses cuidados, houve briga. Batalha campal. Feridos. E, por esse motivo, o que se vislumbra no próximo ano, é que os confrontos que se realizarão em Porto Alegre, segundo as intenções da Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul, é termos jogos com "torcida única".
   Onde quero chegar? É que chegamos na involução. Nossos conceitos de sociedade, de convivência, de respeito ao próximo, de percepção dos sentidos e sentimentos alheios, se perderam. E o pior de tudo, é que achamos normal. Quando o maior representante da Segurança Pública desiste, dizendo que colorados e gremistas não podem ocupar o mesmo espaço na simples prática esportiva, o que dizer do resto? Temos que refletir sobre o que está acontecendo. Pois o problema não são os gremistas, os colorados, os corintianos, os santistas, os cruzeirenses ou atleticanos. O problema são os marginais que se infiltram num grupo e se consideram "anônimos" perante as leis e suas prerrogativas, sempre saindo impunes de seus atos. E, em vez de reconhecer e punir os transgressores, lava-se as mãos e curva-se à barbárie, dizendo que não há mais nada a ser feito.
   Inaceitável. Inconcebível. Porém, se as autoridades não se impõem, se as leis favorecem mais aos infratores do que as vítimas, se nós, como sociedade, desprezamos os professores e permitimos que as crianças façam tudo numa sala de aula. O que esperar de uma sociedade permissiva?
   Aliás, como me considero um bom gremista, mas como meus posts anteriores já demonstraram, sou um amante do futebol. Por isso, condeno com veemência os cânticos que algumas pessoas de má índole vestidas com a camisa do Grêmio fazendo referência à morte recente de Fernandão, um dos principais ídolos colorados. Foi deplorável.
   A grandiosidade da Copa do Mundo, de alguma forma, demonstrou a mediocridade do nosso futebol. E de nossa sociedade. Está faltando rigor e coragem. Ainda estou na ressaca do mundial. E pelo que presencio, vai demorar a passar.  
   

terça-feira, 15 de julho de 2014

Os Meus Primeiros Discos


Após cumprir meus deveres domésticos com esmero nesta manhã ensolarada, tento recuperar-me da DPC (Depressão Pós-Copa). Enquanto o Walter dorme na cadeira ao lado, com aquele sorriso cínico de quem foi campeão do mundo (como ele é amarelo, coloquei seu nome em homenagem ao capitão da seleção alemã campeã mundial de 1954, Fritz Walter), a Nevasca se aproveitou da minha distração e pulou no meu colo. E quer ver tudo o que estou escrevendo. rs

Pra sair um pouco da rotina futebolística desta Copa do Mundo histórica que vivemos, resolvi mexer no baú de minhas memórias, tirar o pó das lembranças e recordar um dos prazeres que a tecnologia nos roubou: de ir numa loja e comprar um cd ou disco. Ou até mesmo, gravar uma fita cassete com nossa coletânea pessoal ou ficar com o botão "rec" e "pause" pressionados só esperando aquela música que a gente gosta mas só ouve no rádio. Era muita emoção... rs

No início de 1987, acompanhei minha mãe e meu ex-padrasto no Centro Comercial João Pessoa (hoje em dia é Shopping). Na loja da Renner, ela olhava os discos e me disse que eu poderia escolher três álbuns. Nossa, meus olhos brilhavam!!! Meu vizinho da frente, o Giovane, sempre tinha seus discos. A gurizada na escola sempre falava e cantava as músicas do momento. E eu poderia ter meus discos. Pois, sempre que eu revirava a coleção de minha mãe, só tinha Roberto Carlos, Julio Iglesias, dupla sertaneja e trilha de novela. Difícil catar algo interessante. rs

Bom, quando ela me passou essa árdua missão de escolher três álbuns. Como na casa de meus primos Marcelo e Marcos eu sempre ouvia seus discos, e eles tinham uma vasta coleção, não tive dúvidas em escolher os dois primeiros:


- Legião Urbana - Dois:
Dois é o segundo álbum da banda brasileira de rock Legião Urbana, lançado em julho de 1986. Ocupa a 21ª posição da lista dos 100 maiores discos da música brasileira pela Rolling Stone Brasil. Naquele momento, músicas como Quase sem Querer e Eduardo e Mônica eram hinos entre a criançada, mas a minha preferida era "Tempo Perdido". Um hino que até hoje marca minha geração. E ao ouvir o "Long Play", descobri pérolas como Andrea Doria, a instrumental Central do Brasil e o prolongamento mágico em violão de Tempo Perdido. 
Confesso que "Índios", apesar da letra fantástica, não soava bem no meu ouvido graças àquele teclado estilo "Joy Division". rs Só no acústico da Legião é que me rendi à sua poesia.




- Paralamas do Sucesso - Ao Vivo no Festival de Montreaux
Um álbum ao vivo de uma banda no auge. Uma coletânea empolgante da banda que começou o movimento de Brasília. Além dos clássicos "Meu Erro" e "Óculos", na minha memória juvenil ficaram marcadas "Será Que Vai Chover?", o antagonismo da letra de "A Novidade" e o questionamento de "Selvagem". Épico!



- Banda TNT (álbum de mesmo nome)
Fiquei em dúvida se levava a trilha sonora do filme "La Bamba", mas escolhi este. Rock gaúcho em efervescência, numa época de Replicantes, Taranatiriça, Engenheiros, Nenhum de Nós, Garotos da Rua, entre outros.  Continha clássicos como "Ana Banana", "Oh, Deby!" e "Cachorro Louco". Era um rock básico, sem frescura e com muita intensidade. Pra um guri de onze anos, sensacional! rs

Cortei muita grama ouvindo estes discos no "3 em 1" da Dona Cleusa, colocando as caixas de som pra rua. rs Depois disso, vieram outras bandas, outros álbuns, mas só aos 20 anos fui descobrir a banda que faz a trilha sonora de minha vida. 

Mas isso, é outra história...

Que saudades da Copa!!! rsrsrs

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Argentina x Alemanha - As Finais

Enquanto observo a cafeteira trabalhar como uma ampulheta e o som do secador de cabelo da minha esposa deixa o Walter arrepiado, vejo na TV a devastação causada pela derrota de 7x1 para a Alemanha. Não há mais propagandas ou chamadas sobre a Copa. Jingles ou debates acalorados. Tudo virou lamentação, piada e terra arrasada. Esquecendo, de súbito, que vivenciamos uma Copa do Mundo fantástica. E, apesar do nosso desejo íntimo, teremos uma final digna e grandiosa por tudo o que vivemos.

Maradona com a taça em 1986. Matthäus em 1990. E em 2014?


Com 6 anos de idade, eu vi a final de 1982. Quer dizer, uma parte, pois lembro de acordar num cochilo de tarde dominical e ver a Itália fazendo gol sobre a Alemanha. Eu não tinha a dimensão do que eu vivenciava. Isso só foi acontecer quatro anos mais tarde. Com 10 anos, vivi toda a expectativa daquela copa. Colecionava as figurinhas do chiclé Ping Pong, anotava as escalações para meus times de botão, os resultados na tabela da copa, esperava o Araken "o gol-man" após os jogos do Brasil, jogava bola na rua imaginando ser Elkjaer, Laudrup, Butragueño, Hugo Sanchez, Belanov, Zico, Careca, Burruchaga, Rummenigge, Pfaff, Schumacher, Gerets, Lineker, Matthäus, Maradona, entre tantos outros craques que pairavam em nossa imaginação infantil com suas façanhas. Logo, uma final de Copa do Mundo entre Argentina e Alemanha me soa muito familiar.

Gol de Völler na final do México


Em 1986, na velha TV Telefunken preto e branco de minha avó, lembro de toda a expectativa do jogo final. De tudo o que Maradona já tinha feito até então e da facilidade com que a Alemanha venceu a França na semifinal. Do Osmar Santos (preferia o Luciano do Valle) narrando a final na Globo. O gol de cabeça do zagueiro Brown. O segundo gol de Valdano no início de segundo tempo. A incrível reação alemã que, na pressão, buscou o empate. A genialidade de Maradona, no final, lançando Burruchaga e fazendo o gol do título. E o que ficou mais marcado em minha memória: após a festa, encontrar todos os meus amigos e falarmos sobre a final. E é claro: jogarmos bola.

Gol do título de Burruchaga, para desespero de Briegel e Schumacher.


Na Copa de 1990, ficou muito marcado a eliminação pra Argentina nas oitavas, no melhor jogo do Brasil, com três bolas na trave, mas, novamente, a genialidade de Maradona resolveu tudo. Como essa eliminação precoce da seleção modificou as transmissões, da torcida por Camarões, como Goicochea defendia pênaltis e como tecnicamente os jogos eram fracos, com as defesas sempre recuando a bola para os goleiros. Foi o ápice do legado negativo da derrota do Brasil em 1982: o medo de perder era maior que a vontade de vencer.

O gol do título de 1990. Brehme superando Goicochea.


Na final em Roma, a Alemanha (que tinha feito uma campanha muito melhor) massacrou a Argentina. Dominou o jogo o tempo inteiro. Maradona (pra quem eu torcia no Napoli, no campeonato italiano) não tinha espaço. Não lembro dos "albicelestes" finalizarem. O que ficou muito nítido, foi um pênalti claro não marcado, e o pênalti marcado que não foi. Vitória alemã de 1x0, gol de pênalti. Merecido, mas injusto da forma como aconteceu. Um retrato fiel da pior Copa do Mundo tecnicamente já disputada.

Völler e Matthaüs cercam Maradona. Sem espaço para ser genial em Roma.


Nessa final no Maracanã, por tudo o que já fez, a Alemanha entra em vantagem. Um jogo coletivo, de alta velocidade e rotatividade. O jogo contra o Brasil não conta. Aquilo foi uma hecatombe que só ocorre a cada cem anos. Já a Argentina, chegou até aqui graças à genialidade de Messi (assim como Maradona no México 86 e Itália 90) e o reconhecimento de sua fragilidade defensiva, o que ocasionou uma dedicação de todos pra suprir esta debilidade.

Antes de começar a Copa, eu brincava que o Governo Brasileiro estava investindo pesado pra Argentina ser campeã. Pois, se existe uma característica em que os "deuses do futebol" são moldados é a ironia. E não há nada mais irônico do que ver o país invadido por argentinos com seus cânticos e entusiasmo. E o Brasil decidindo o 3º lugar na capital federal no estádio mais caro do mundial, para o Gama e o Brasiliense jogarem a série B e C.

Torço para alguém? Não sei. Verei esta final de sangue doce. A Alemanha com seu trabalho de 10 anos coroado ou a Argentina levando Messi ao status (merecido) de semideus de Maradona. Quem vencer será merecedor e premiará o Brasil com chave de ouro no encerramento desta Copa surpreendentemente fantástica, única, emocionante.

E inesquecível.





quarta-feira, 9 de julho de 2014

7x1 - O Maior Legado da Copa: A Vitória do Planejamento sobre o Ufanismo

Uma das vantagens de "envelhecer", é ter a noção exata de quando se está presenciando a história. De saber que, aquilo que estamos vivenciando, ficará eternizado na nossa retina, mente e corações. Seja como algo grandioso, majestoso, magnífico. Ou, como catástrofe, tragédia, ferida. 
Ontem, a frase que mais pronunciei foi: "estamos presenciando a história". Será um daqueles acontecimentos que, sempre que nos perguntarem, nós lembraremos bem onde estávamos e o que fazíamos. Como, por exemplo, a morte do Senna, a queda das Torres Gêmeas ou a Batalha dos Aflitos. A partir de hoje, até o resto de nossos dias, ouviremos a pergunta: o que aconteceu?

Precisamos ter um pouco de Alemanha dentro de nós.


Antes de ser brasileiro, gaúcho e gremista (não necessariamente nessa ordem), sou um apaixonado por futebol. E sou fã incondicional da Bundesliga (Liga Alemã) desde 1992, quando a TV Cultura começou a transmitir seus jogos. Eu vi, em dezembro de 1992, o amistoso entre Brasil 3x1 Alemanha no Beira Rio, encantado com a seleção germânica: Matthäus, Völler, Klinsmann, Hassler, Augenthaler, entre outros. Tenho a camisa 10 da conquista de 1990, a mais bela de todas. E posso, em uma única frase o que aconteceu: a vitória do planejamento sobre o ufanismo. E provarei isso contando uma historinha.

Na Eurocopa de 2000, na Holanda e Bélgica, a Alemanha foi eliminada na fase de grupos. Baseada nisso, a Federação Alemã de Futebol (Deutcher Fussbal Bund) viu que seu estilo germânico de jogo, pragmático, baseado na força, altura e imposição física, estava defasado. Algo novo tinha que ser criado. Foi o surgimento de um novo conceito e metodologia.

Desde então, todos os times da primeira e da segunda divisão são obrigados a construir um centro de excelência para jovens. O segundo passo foi criar critérios para avaliar essas academias sob o ponto de vista de infraestrutura - campos, vestiário, equipamentos técnicos- e de pessoal -exames para técnicos, psicólogos e preparadores físicos. Com isso, o investimento dos clubes crescia a cada ano em suas divisões de base. De início, os times investiam R$ 125 milhões por ano, número que praticamente dobrou depois de 12 anos. No total, clubes da primeira e segunda divisão já gastaram R$ 1,4 bilhão com infraestrutura e pessoal para a formação de atletas.

Em paralelo ao trabalho da liga, a DFB instalou 366 centro de treinamentos de excelência pelo país, em associações com escolas, que atendem garotos de 10 a 14 anos. São verdadeiras escolas de futebol em que é feito um treinamento individualizado para cada jovem atleta. Cerca de 14 mil jovens são atendidos por essas escolas. Depois dos 14 anos, eles podem ter acesso às academias dos clubes.
O programa tem como objetivo incentivar a prática do futebol, mas também tem a intenção de que isso seja feito em paralelo com a formação escolar. A DFB, por exemplo, tem uma estatística que demonstra qual o percentual de seus jovens jogadores que se dedicam prioritariamente à gramática ou a ciências exatas. Há também psicólogos para acompanhar os garotos e organizar suas tarefas de forma que não exista prejuízo à escola por conta da atividade do futebol. Assim, boa parte dos atletas que se tornam profissionais também conseguem ir para a universidade.
Com exceção do veterano Miroslav Klose, todos os 23 convocados pelo técnico Joachim Löw passaram por esses centros de excelência, que ajudaram a formar a que, para muitos, é uma das melhores gerações da história recente do futebol alemão.
Também podemos lembrar a preparação da seleção alemã. Ao chegar aqui, a DFB não encontrou nenhum local com a estrutura desejada. O que fizeram? Construiram um centro de treinamentos em Santa Cruz Cabrália, para adaptação ao clima do nordeste, onde teriam a maioria dos jogos da primeira fase da Copa. Enquanto os técnicos da Inglaterra, Itália e Espanha reclamavam do calor, os alemães treinavam na Bahia às 13h, devido o horário dos jogos.
Ah, antes que me esqueça, a Alemanha, no último amistoso da Copa, perdeu seu principal atacante, Marco Reus, do Borussia Dortmund. Alguém sentiu falta?
A Alemanha vem num processo de amadurecimento e resultados. Terceiro em 2006, em casa, muito comemorado. Vice na Euro 2008. Terceiro na Copa de 2010. E Terceiro na Euro 2012. E agora, o que merecem?

E o Brasil? Na apresentação, Carlos Alberto Parreira declarou de pulmão inflado no dia da apresentação da seleção brasileira: "chegou o campeão". Dependíamos única e exclusivamente da genialidade de um garoto de 22 anos. E percebemos, nas penalidades contra o Chile, uma equipe sufocada pela pressão de ter de ser aquilo que esperam, e não, o que realmente é: uma equipe jovem que carece de valores e experiência, carregando o fardo da obrigatoriedade de um título para o qual não nos preparamos. Como entidade (CBF) e como país. 
Aliás, a CBF é um penduricalho político, multimilionária, com a mesma "administração" desde 1989, sem nenhuma preocupação ou ação com as verdadeiras carências do futebol brasileiro. E tão cedo, não mudará.
Pra encerrar, deixo um texto do Técnico Sidney Moraes, do Náutico/PE, lido pelo apresentador Milton Neves ontem à noite em seu programa. 

“Isso representa mais que um simples jogo! Representa a vitória da competência sobre a malandragem! Serve de exemplo para gerações de crianças que saberão que pra vencer na vida tem-se que ralar, treinar, estudar! Acabar com essa história de jeitinho malandro do brasileiro, que ganha jogo com seu gingado, ganha dinheiro sem ser suado, vira presidente sem ter estudado! O grande legado desta copa é o exemplo para gerações do futuro! Que um país é feito por uma população honesta, trabalhadora, e não por uma população transformada em parasita por um governo que nos ensina a receber o alimento na boca e não a lutar para obtê-lo!  A Alemanha ganha com maestria e merecimento! Que nos sirva de lição! Pátria amada Brasil tem que ser amada todos os dias, no nosso trabalho, no nosso estudo, na nossa honestidade! Amar a pátria em um jogo de futebol e no outro dia roubar o país num ato de corrupção, seja ele qual for, furando uma fila, sonegando impostos, matando, roubando! Que amor à pátria é este! Já chega!!! O Brasil cansou de ser traído por seu próprio povo! Que sirva de lição para que nos agigantemos para construirmos um país melhor! Educar nossos filhos pra uma geração de vergonha! Uma verdadeira nação que se orgulha de seu povo, e não só de seu futebol!!”

É um momento histórico. E espero que sejamos capazes de reconstruir nossos conceitos, com humildade e trabalho. Que o mérito, assim, aparecerá.











domingo, 6 de julho de 2014

Banda Bruha - O Que Nos Move é Rock'n Roll




Qual é o ritmo que nos move? Qual a melodia que condensa os sentidos e transcende a alma? Qual a batida que nos faz correr sobre as nuvens e mergulhar no mais profundo do nosso ser? O que faz rolar as pedras e acalentar o coração? O que nos faz questionar o universo e molda nossa personalidade? O que explode em nossa mente e corre em nossas veias? Bem, o que posso dizer que o que nos move é rock'n roll.

Alf, Coisinha e Rafinha


Ainda escreverei aqui como aprendi a tocar violão e toda a sina até que eu realizasse esse desejo de infância. A música sempre esteve no meu DNA. Meu avô paterno, Seu Chico Alfaiate, tocava acordeon, e minha avó paterna, Dona Soely, cantava na igreja. Minha tia paterna, Tia Helaine, é professora de música. E meu pai foi músico profissional, cantando na noite (literalmente) até o último momento de sua vida. Meu primo (e irmão de alma) Anderson tocava. E eu cresci nesse universo sempre querendo aprender a tocar. Mas isso é uma outra longa história... rs

Eu e Rafinha


Avançando no tempo, depois que eu aprendi a tocar, eu andava sempre com o violão debaixo do braço, tocando sempre que eu tinha oportunidade. Eu era um baita fominha!!! rs Como eu só aprendi a tocar aos 18 anos, não podia ver um violão que eu queria tocar. E nesse universo, entra um grande amigo de adolescência em Gravataí, Rafael Sartini Coimbra (Rafinha).

Alf, Chelo, Coisinha e Eu


Nas andanças que a vida nos proporciona, lá pelos anos 2000, eu morava na praia, em Tramandaí. Mas sempre mantive o contato com meus amigos. Nisso, o Rafinha aprendeu a tocar e virou um excepcional guitarrista. Junto do Rodrigo "Coisinha" (vocal), Marcelo "Chelo" (baixo e bateria) e Fernando "Salsicha" (bateria e baixo), criaram a Bruha. O nome é inspirado num clã de vampiros num jogo de RPG. Lá por 2004, eu fui convidado. Entrei como guitarra base e, logo após, assumi os vocais. Mais tarde, Chelo saiu e Adriano (Alf) assumiu o baixo.

Rafinha, Coisinha e Eu

Rafinha e Salsicha


Creio que foi uma boa mistura. O Rafinha é um grande fã do Guns'n Roses. O Salsinha é fã do Metallica. E eu um fã incondicional do Oasis e da melodia do rock inglês. Devido a distância (mais de 100 km), após um ano de banda, acabei saindo. E na seqüência, o grupo acabou. Por diversas vezes, ensaiamos um retorno. Mas devido às adversidades impostas pelo destino, não se manteve.

Rafinha


Alf e Eu

Chelo

Eu


Coisinha e Chelo

O mais legal da Bruha é que tínhamos influências diferentes, mas curtíamos demais quando ligávamos a distorção e essa ecoava em nossos sentidos. Afinal, tínhamos um "guitar hero" (Rafinha), um baterista mestre na pedaleira dupla (Salsicha), um baixista silencioso e virtuoso (Alf) e o melhor compositor heterosexual do rock brasileiro (um tal de Cristian Ribas)... rsrsrs

Salsicha

Salsicha



Tô apanhando pra anexar músicas aqui. Assim que eu conseguir, eu aviso. rsrsrs



Afinal, por mais que o tempo passe, o rock'n roll sempre nos moverá.




quinta-feira, 3 de julho de 2014

Os Times da Gulliver

Após o Walter me acordar  e deixar a louça limpa, resolvi dar uma passada por aqui, em mais um dia de abstinência futebolística de copa.

O mundial de futebol, pra mim, sempre traz lembranças afetivas. Me faz recordar de meus avós, meus amigos de rua, meus primos, do chiclé Ping Pong, do Pelebol, da cancha, dos abacateiros no final da rua que se transformavam em goleira, de muitas coisas singelas mas que marcaram a minha formação como pessoa. E uma delas, como eu já havia falado em futebol de botão, foi a Gulliver e seus esquadrões. Principalmente porque, graças à copa, as lojas de brinquedos e supermercados trazem à tona este brinquedo.
Seleções Gulliver


Numa pesquisa no Mercado Livre, encontrei uma oferta da recriação dos escudos da Gulliver dos anos 70 e 80. Achei isso incrível porque, na atualidade, devido aos custos de direitos autorais, junto com os botões não há mais escudos, e sim, bandeira dos países. E cá entre nós, não é a mesma coisa. Quem vê a bandeira da Itália, da Holanda, da Alemanha e do Japão, não entende porque a cor do uniforme é diferente de seu pavilhão nacional. São coisas que só o futebol e sua magnífica história explica.

Times Nacionais e Estrangeiros


A última publicação de escudos de seleções da Gulliver foi na Copa de 2002. Porém, o momento áureo do futebol de mesa foi nos anos 80. Qualquer bazar ou supermercado tinha times de botão, com escudos dos mais variados. Mesmo morando aqui no Rio Grande do Sul, eu tinha na minha coleção o Santa Cruz e o Sport Recife (Pernambuco), Vitória e Bahia, Figueirense (Santa Catarina), e até os times de Campinas (Guarani e Ponte Preta).  O sucesso foi tanto que, em seguida, inspirados pela transmissão dos campeonatos italiano e espanhol, foram lançados clubes estrangeiros. Eu recortava as escalações dos jornais e das minhas revistas Placar e colava nos botões. Cada dia, nós fazíamos um torneio diferente na rua: campeonato brasileiro, copa do mundo, eurocopa, campeonato italiano, entre outros.

Alemanha by Cristian Ribas


Com a evolução dos videogames, essa febre do futebol de botão foi arrefecendo. E com a limitação de times, isso foi se perdendo. Mas, graças a devoção de muitos botonistas fiéis, isso renasceu. Há vários blogs com publicações de escudos. Eu mesmo ressuscitei esta minha paixão arcaica graças a possibilidade de montar o próprio time e coleção.

Argentina by Cristian Ribas


Confesso que fiz minha própria Copa do Mundo de botão, mas não revelarei o resultado. Vai que tenha algum supersticioso de plantão achando que sou "Mãe Diná". rs Mas o bom de tudo isso é saber que, em tempos de imediatismo, stress e tecnologia, você pode imaginar que tem os maiores craques do mundo à sua disposição. Então, nesse "dejavú", resolvi recriar modelos Gulliver de escudinhos, mesmo não sendo o mais habilidoso nas artes gráficas. Mas, o mais importante, é deixar vivo sempre o que há de melhor em nós. Isto é, aquele espírito infantil capaz de se satisfazer com as coisas singelas e belas desta vida.

União Soviética by Cristian Ribas


segunda-feira, 30 de junho de 2014

Meu Primeiro Jogo de Copa - Espanha 1982


Enquanto eu espero meu pão caseiro assar (é isso aí, eu meto a mão na massa!!! rsrsrs), sorvo meu café ouvindo rádio aguardando o último jogo da Copa em Porto Alegre, Alemanha x Argélia.

Essa tarde chuvosa me fez revirar minha memória lúdica e futebolística. Nesse vasto baú de belas lembranças, ainda inebriado pelo clima de Copa, busquei meu primeiro jogo de mundial. Eu tinha 6 anos na longínqua e inesquecível Copa da Espanha. Eu lembro do sorteio dos grupos, meu encantamento com as bandeiras, que meu falecido avô, seu Chico Alfaiate, me ensinou os países e capitais, e meu delírio por querer aquelas mini bolas da adidas que eram abertas com o nome das seleções (hoje eu tenho uma mini bola Tango, mas não dá pra abrir... rsrsrs). De um amistoso Espanha e Escócia, onde eu não distinguia quem jogava de vermelho (Espanha) ou de azul marinho (Escócia) na TV Telefunken preto e branco de minha avó. Mas ficou na minha retina dois momentos em especial: o jogo de abertura, Argentina 0x1 Bélgica, e a estréia do Brasil contra a União Soviética.



No primeiro jogo, enquanto o mundo esperava pela estréia de um jovem craque argentino (um tal de Diego Maradona) a Bélgica fez o crime. Mas o que ficou marcado na minha retina, foi uma imagem singela: um menino com a camisa da Espanha, no centro do campo, abre uma bola, e de dentro, retira uma pomba, a joga no ar, que sobrevoa todo o estádio. Uma cena significativa, levando-se em consideração o que ocorria pelo mundo: Malvinas, Irã x Iraque, Afeganistão, Guerra Fria, ditaduras na África e América Latina, etc.


E meu primeiro jogo do Brasil, numa tarde gélida e chuvosa como esta foi contra a União Soviética. O que mais me chamou a atenção foram as letras CCCP no peito dos jogadores russos. Meu avô, Seu Chico, me explicou que significava União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Nunca esqueci. Do meu avô e do jogo. Um 2x1 dramático. Uma virada espetacular de um time fantástico. Tanto que, ano passado, realizei meu desejo infantil e comprei a camisa da União Soviética.

Bem, o pão abatumou, o Walter e a Nevasca alugaram a cama e o jogo entre Alemanha e Argélia está fantástico. Mais uma tarde inesquecível, vivenciando as coisas simples da vida, 32 anos depois.




terça-feira, 10 de junho de 2014

A Maior Tragédia da (Minha) História do Futebol de Botão

A minha infância sempre foi muito simples. Meus brinquedos eram poucos, mas envolviam duas grandes paixões, que me acompanham até hoje: futebol e fórmula 1. Logo, graças a uma dessas paixões, automaticamente, um brinquedo sempre se destacava: meus times de botão.

Na garagem de casa, sempre organizávamos grandes campeonatos. Normalmente, os torneios eram de pontos corridos e de denominavam de “Copa Fruki”, pois fazíamos vaquinha e o prêmio era 3 garrafas de Guaraná Fruki para o primeiro colocado, duas garrafas para o segundo e uma para o terceiro. Normalmente, eu dividia uma das minhas, pois fui tricampeão. Rsrsrs Os campeonatos aconteciam entre oito e dez participantes. Mas, outra hora eu descrevo mais sobre isso.

Eu tenho uma diferença de 13 anos para minha irmã, Francielle. Então, por ser mais velho, como boa caçula, era queria logo o que não lhe pertencia. Adivinha o que era: meus botões!!! Coloridos, redondos, adesivados, seus olhinhos brilhavam a ver meus craques e suas mãozinhas faziam movimentos de apertar para pegá-los. Eu, querendo preservar as principais equipes, dava alguns botões de times incompletos ou “puxadores”, botões mais resistentes. Mas, um dia, algo terrível aconteceu...

Quando eu tinha 14 anos, em muitos finais de semana, eu viajava até minha terra natal, Guaíba, para visitar minha avó e meus primos. Eu morava em Gravataí. Uma distância de 40 km entre as duas cidades. E eu sempre fui muito organizado com meus times de botão. Eu tinha três caixas: uma para times brasileiros, outra para clubes estrangeiros e, a última, para seleções. Por motivos óbvios, os guardava em cima do roupeiro. Então, no retorno de um final de semana, nujma fatídica segunda-feira, me deparei com uma cena aterradora, que ainda hoje mancha minha retina. Era a minha caixa com as seleções, com os botões espalhados pelo carpete. Diego Maradona partido ao meio. Zico em gemidos com seu adesivo rasgado. Platini quebrado em vários pedacinhos. Rummenigge desaparecido no maior “botonicídio” já visto na (minha) história do futebol de botão.

Após um momento absorto pelo ocorrido, numa investigação minuciosa, descobri que, para cessar o choro intempestivo da minha irmã, meu ex-padrasto foi ao meu quarto e pegou uma das caixas. Diz a lenda que o pranto parou na hora, e que minha irmã, de tamanha felicidade, no alto de seus dois aninhos de idade, parecia uma “pequena Godzilla” destruindo Tóquio, pisoteando os maiores craques de todos os tempos. Van Basten, Carlos Manoel, Tardelli, Gerets, Francescolli, Breitner, Butragueño, Laudrup. Não sobrou ninguém.
No final das contas, como eu sempre comprei a Revista Placar e colecionava seus escudinhos, meus times de botão se transformaram em times estrangeiros. Foi o único brinquedo que guardei da minha infância. O resto, graças ao bondoso coração de minha mãe, Dona Cleusa, doamos.

Um pouco antes da Copa de 2010, ao descobrir os sites de escudinhos, acabei retomando minha antiga paixão. E refiz minha coleção de times de botão. Hoje, tenho 48 seleções, incluindo União Soviética, Iugoslávia, Tchecoslováquia e Alemanha Oriental, pra ver como sou velhinho!!!


Hoje, minha irmã está adulta, linda, e me presentou com uma afilhada tão linda quanto ela, que sempre que recebo sua visita, jogo botão com ela. Mas, ainda cobro da Dona Francielle Ribas as vítimas da grande tragédia da “pequena Godzilla”. Espero que, após 23 anos desta hecatombe, ela se comova com a Copa e me presenteie com Ribery, Hazard, Cristiano Ronaldo, Pirlo e  Iniesta. rsrsrs

Minha afilhada Thaíza, minha irmã Francielle (a pequena Godzilla!!!) e minha mãe, Dona Cleusa.



domingo, 8 de junho de 2014

A Copa do Mundo e a Compota de Pêssego da Minha Avó



   Minha avó sempre tinha uma compota de pêssego guardada. Por mais que eu salivasse, que eu fizesse olhar pidão, suplicasse com olhos lacrimejantes, minha avó ficava insensível às minhas peripécias. Só havia uma coisa capaz de superar qualquer resistência de minha avó, Dona Soely, e fazê-la abrir a compota de pêssego com um grande sorriso e uma satisfação maior ainda: quando recebia visitas.
  Em tempos de redes sociais e aplicativos, estamos perdendo este hábito de visitar os amigos, de recebê-los em casa, de receber afeto e oferecer atenção. Acho que, por esse motivo, que não estamos valorizando os milhares de torcedores que virão para o nosso país assistir a Copa do Mundo.
   Nossa educação é vergonhosa, nossos hospitais são caóticos, os níveis de criminalidade chegam em índices assustadores, nossos presídios estão superlotados, a mobilidade urbana se arrasta devido a falta de investimento no transporte público, entre outros problemas que assolam nossa terra. Mas, eles já estavam aí antes da Copa. Não surgiram por causa da Copa. Sei que Brasília não precisava de um estádio pra 70 mil pessoas, que Goiânia era para estar no lugar de Cuiabá e Belém no de Manaus, e que o Corínthians ganhou um estádio de presente por ser o time do coração do ex-presidente Lula. Sei de tudo isso e de muito mais coisas, como só 3 obras viárias ficaram prontas em Porto Alegre, das 15 começadas. Porém, agora não é a hora de protestar, xingar ou agredir. Esse é o momento de limpar a casa, mesmo não sendo a mais rica ou a mais bela, ajeitar a mesa e oferecer o que temos de melhor.
   Nós, brasileiros, somos o que temos de melhor.
   Acima, segue o vídeo produzido pela FIFA que passará antes de cada jogo que se realizará em Porto Alegre. E vendo essas imagens, me dá um grande orgulho de ser gaúcho. E também, brasileiro.
   Então, vou no supermercado comprar cinco compotas de pêssego, pois vem muita gente boa nesse mês. Vamos curtir esse momento único na história de nossas vidas, pois ele não se repetirá. E será especial.
   Sobre nossos problemas sociais, tem data pra começar a mudança: 05 de outubro. Cabe a nós fazermos nossa parte. Pois os políticos nada mais são que um reflexo do povo que os escolheram.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Um Gato (Chato) Chamado Walter

Sorrindo para a foto.

Comendo uma massa.

Essa mala adora uma barra de cereal.

Pose para as gatinhas de plantão.

Comendo meu boneco de subbuteo.

Invadindo o campo.

Colecionando as figurinhas da Copa.




      Hoje é meu último dia de férias. Ao abrir a porta de casa, um gato amarelo entra alucinadamente, corre até o quarto, pula na cama e, ronronando, começa a bater com sua pata no meu rosto pra ver se eu estou acordado. Resumindo: uma mala!!! 
     Dizem que os animais de estimação se parecem muito com seus donos. Se eu sou igual ao Walter, devo ser muito chato!!! rsrsrs
       Tenho três gatos: a Nevasca, a gata velha "mãe de todos"; o Grafite, o obeso dengoso; e o Walter. Tínha também a Salomé, a cadela louca, mas depois que virou mãe, ficou "rueira", até que nunca mais voltou. 
       Mas o Walter é um caso a parte. No início de novembro de 2012, num domingo, fui buscar o churrasco pronto, mas ao ver dois gatinhos amarelos, iguais ao "Gato de Botas", filme que a pouco nós tínhamos visto no cinema, resolvi fazer uma "surpresa" para minha ex-esposa e pegar um. Como já tínhamos dois gatos, Nevasca e Grafite, ela não gostou nada. Mas, no período da tarde, estava vendo futebol com o novo filhote, minha ex-esposa aparece correndo, me dando bronca, porque eu não estava cuidando do filhote. Na verdade, a vizinha encontrou o segundo gatinho em seu pátio, e como a mesma tinha dois cães, resolvemos ficar com os dois filhotes: o Fritz e o Walter (em homenagem a Fritz Walter, capitão da seleção alemã campeã mundial em 1954 sobre a Hungria de Puskas).
          Os dois gatos cabiam na palma da mão. Minha ex-esposa morria de pena, achava que os dois "não se criariam". Eu dava de mamadeira pra eles. Mas se criaram e aprontaram muito. Infelizmente, numa noite em que eu esperava minha ex-esposa vir do trabalho, o Fritz me acompanhou, atravessou a rua correndo e, antes que eu pudesse fazer algo, por morarmos numa rua bem movimentada, acabou sendo atropelado. Ainda bem que minha esposa não viu.
          Enquanto "entrego" as manias do Walter, ele está aqui na cadeira, me olhando, esperando pela barra de cereal. Um dos hábitos dele, desde a sua infância felina, é mamar no edredon. rsrsrsrs Quando estou na cama, ele pula, começa a sovar a coberta e começa a mamar, ronronando em alto e bom tom. De preferência, colocando a pata encostada em mim. É trauma de infância. 
          Pra ver se consigo ele deixar eu finalizar e parar de chamar minha atenção dando tapa no modem, despisto ele dando um pouco de ração. Mas ele é viciado em barra de cereal, batata palha e amendoim. Carne crua ele pira. Fica miando pela manhã até a gente abrir a porta. E quando entra, fica tão feliz que pula na cama ronronando e nos dando tapas na cara, pra ver se estamos bem. Como ele fez hoje.
                   Bom, meu último dia de férias, vou terminar minha Copa do Mundo de futebol de botão. Isso, se o mala do Walter não invadir o campo, coisa habitual pra ele. Ele pensa que é meu dono. E eu sei que ele é chato, mas é um grande amigo. Assim como eu. rsrsrs 







terça-feira, 3 de junho de 2014

Uma Torcida Sem Alma - Brasil 4 x 0 Panamá

Desculpe minha chatice, mas alguém ouviu algum grito de torcida durante o amistoso do Brasil hoje? Bom, ouvi um "olé"após os 35 do segundo tempo, e logo após, um "Brasil, Brasil, Brasil" meio xoxo.
Na verdade, quem esteve no estádio Serra Dourada não era "torcedor de futebol", mas sim, mero espectador.
Espero que, durante a Copa, seja diferente.

sábado, 31 de maio de 2014

Crystal Palace 3x3 Liverpool - O Choro de Luis Suárez




Pra não dizer que eu só falo da Argentina, às vésperas da Copa, vou relembrar um jogo histórico da última Premier League. Mas, por causa de um uruguaio.

No dia 05 de maio, o Liverpool enfrentava fora de casa o Crystal Palace, ainda sonhando com um título, que a mais de vinte anos não estava tão perto. Os "Reds" chegaram a abrir 3x0, e Luis Suárez pegou a bola correndo após seu gol, colocou no meio-campo, na expectativa de aumentarem o "score", pois, como a pontuação ficaria empatada com o Manchester City, o saldo de gols seria fundamental pra decidir o campeão.

Porém, em faltando doze minutos para acabar a partida, começou o pesadelo vermelho. O Crystal Palace reagiu e, faltando dois minutos, empatou o jogo em 3x3. No apito final, o capitão Gerrard, que jogou toda a sua vida no Liverpool, e Suárez, caem em choro. O jogador uruguaio, que se tornou artilheiro da liga com 31 gols, igualando a melhor marca da história da competição, não controlou a emoção, pois todos sabiam que a chance de título terminava alí, pois dependeriam de uma derrota em casa na última rodada do Manchester City para o West Ham, o que não aconteceu.

Em tempos de supersalários, jogadores milionários e profissionalismo acima de tudo, é de louvar momentos como esse. Sejam vitórias. Ou derrotas.

Que venha a próxima temporada para o Liverpool. E uma grande Copa para o Uruguai com o genial e aguerrido Luis Suárez.


sexta-feira, 30 de maio de 2014

Estádio (E Eterno) Olímpico Monumental




Como acham que "yo estoy tornandome argentino", vou sair um pouco do assunto Copa. rsrs

Hoje, foi confirmada a assinatura que faltava do aditivo entre Grêmio e Construtora OAS. E, baseado nesse acordo, o Estádio Olímpico Monumental, casa do Grêmio desde 1954 e palco de inúmeros craques e incontáveis emoções, no prazo de três meses, será entregue a construtora para se tornar um belo conjunto comercial e residencial.
Com 6 anos de idade, em 1982, vi meu primeiro jogo lá, Grêmio 0x2 São José. In loco, vi títulos da Copa do Brasil, Brasileiro e Libertadores. Sorri em títulos heróicos, chorei em derrotas injustas, aplaudi quem nos superou e enchi meu coração de esperança em cada drible, roubada de bola, cruzamento na área ou uma falta na entrada da área. Quis o destino que eu servisse o Exército em 1995 e, como o CPOR (Centro de Preparação dos Oficiais da Reserva) é próximo do Estádio, pude presenciar incontáveis vezes o maior Grêmio da história: Danrlei, Arce, Rivarola, Adilson e Roger. Dinho, Goiano, Arílson e Carlos Miguel. Paulo Nunes e Jardel. Treinador? Um tal de Felipão.
Já fui na Arena. Aliás, a foto da capa do Blog é de lá, feita por mim, no jogo Grêmio 3x1 Cruzeiro, ano passado. Um estádio encantador, impactante, deslumbrante. Mas, por mais bela que seja essa nova casa, não há como não sentir um aperto ao saber que, o "Velho Casarão", irá desaparecer. Que ao passar na "Rótula do Papa", não haverá mais a marquise do Estádio delineando o horizonte. Eu, como todo bom gremista, que vivenciou muitas de suas emoções neste santuário, seguirei adiante, mas ficarei com meu coração apertado.

Acima, um belíssimo vídeo de homenagem ao Olímpico, com três gigantes de sua história: Danrlei, Hugo De León e Jardel.

Abaixo, um comercial da Coca-Cola imaginando uma conversa entre Olímpico e Arena. Comovente, para os corações tricolores.


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Outras Pérolas - Comercial Cablevision e Coca-Cola (O Comercial que Me Fez Chorar)



Por mais brasileiro ou patriota que alguém seja, não há como comparar. Para o brasileiro, a seleção é "circo", é espetáculo, é soberba e obrigação de vitória. Para os argentinos, sua seleção é paixão, religião, vida. O comercial da Cablevision deixa bem nítido isso. Quer que os jogadores reflitam em campo toda a luta e batalha de um povo.

Bem, o que falar deste comercial da Coca-Cola, que faz uma analogia entre a vida e um jogo da Argentina, que deixa no final a emblemática frase:

"A vida é como um jogo da Argentina. Pode-se ganhar ou perder, mas, o mais importante, é deixar tudo em campo."

Não há como não se emocionar. E admirar.





quarta-feira, 28 de maio de 2014

Os Melhores Comerciais de Futebol - Quilmes




Aqui está o comercial atual da Quilmes pra esta Copa, e também, pra mim, o melhor comercial de todos, feito para a Copa da Alemanha 2006. Comparem com qualquer propaganda brasileira e me digam: quem são mais apaixonados por sua seleção?




sexta-feira, 23 de maio de 2014

O Melhor Comercial Sobre Futebol Copa 2014 - O nome do jogo é paixão




Confesso que, de alguma forma, nunca vi uma propaganda brasileira que descreve, pra mim, o que o futebol significa. Em quase todos os comerciais, o futebol é visto como "festa". Creio que seja pelo fato de nós, brasileiros, não torcermos pela Seleção. Quem gosta, ama, vive futebol intensamente, pelo menos no Brasil, torce para seu clube do coração. A Seleção, se tiver algum ídolo seu, um jogador de seu clube, aí sim, acaba recebendo maior atenção. Isso poderei demonstrar melhor num comercial argentino, que ficará para um próximo post. Mas, na minha incredulidade, fui arrebatado por este belo vídeo do Grupo RBS. Ele diz o que sempre comento com minha esposa (pobre esposa... rsrsrs) que o futebol é tão encantador, tão apaixonante, porque ele é um reflexo da vida. Representa, em suas formas, batalhas e desafios, o que enfrentamos em nosso dia-a-dia. Nem sempre o melhor vence. Muitas vezes, perdemos com um erro do juiz, num descuido no final da partida, num contra ataque, ou quando achamos que está tudo definido, que temos o controle do jogo, e fizemos um gol contra. Ou vencemos na superação, na transpiração, na crença louca que, até o último segundo, temos que lutar e acreditar.
O futebol é isso. É paixão. É vida que se passa em 90 minutos e nos deixa lições valiosas. E não uma festa rasa que parece sem sentido.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Figurinhas da Copa - A Criança Que Está em Cada Um de Nós

Troca de Figurinhas na Av. Sete de Setembro - Praça da Alfândega/Porto Alegre 

Troca de Figurinhas na Av. Sete de Setembro - Praça da Alfândega/Porto Alegre 


Brasil Completo - A Última Figurinha foi a 33

   Me aproveitando de minhas merecidas férias neste mês de maio (queria que fosse na Copa!!!), consegui completar meu álbum da Copa 2014. Mas, a satisfação não está no álbum em si, e sim, no modo como o álbum se completa e nas pessoas que cruzam nosso caminho com o mesmo propósito. 
   Fui a um ponto de encontro diário para troca de figurinhas no centro de Porto Alegre. E minha surpresa foi que, assim como eu, haviam crianças de todas as idades no local. Crianças de 20, 30, 40, 50, e até com mais de 80 anos. Como é no centro da cidade, as pessoas fogem do trabalho pra buscar as figurinhas faltantes. Lá, ouvi muitas frases clássicas:

- Putz, está acabando meu intervalo e eu nem almocei. (de um carteiro uniformizado)

- Vou ter que inventar uma missão pra explicar meu atraso no quartel. (um soldado fardado do Exército)

- Fiscal de figurinha!!! Fiscal de figurinha!!! (de um senhor relembrando os tempos de infância, que os maiores davam tapa nas mãos de quem estavam com as figurinhas, e as mesmas voavam.)

- O meu álbum eu já completei. Estas figurinhas são para meus netos. (de uma senhora)

- Eu poderia trocar figurinhas com o senhor. (frase de um senhor de mais de 80 anos querendo trocar figurinhas comigo)

E a melhor de todas:

- Só troco brilhante por brilhante. (De um senhor que só trocava escudo de seleções cromadas por outros escudos)

Depois de muitas trocas, muita pesquisa e incomodar muita gente, ontem consegui a última figurinha: n* 33 - Time do Brasil. Após o momento de extremo contentamento, comemoração e satisfação, veio um doce amargo de lamúria de saber que, um momento como esse, só daqui a quatro anos. E ver com pesar que algumas pessoas (e governantes) não compreendem que a magnitude de uma Copa do Mundo não está nos estádios, mas sim, na paixão que desperta a criança que está adormecida em cada um de nós. Ver pessoas de todas as idades que, pelas obrigações da rotina, passam por você com a cara fechada, estressados pelas exigências da vida moderna, sorrindo entre estranhos e pedindo humildemente para ver se alguém tem o distintivo da Argélia ou o atacante do Irã. Num mundo de "redes sociais" e "aplicativos", isto parece um milagre, pois aproxima gerações e famílias num mesmo objetivo, com pureza e ludicidade.

Mas, como minha criança é teimosa, sigo na luta, de olho em quais figurinhas meu primo Marcelo, meu cunhado e amigos precisam. Afinal, a vida é simples. A gente é que complica.