quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A Colheita (poema)







Deixo as palavras escondidas,
procurando vida
onde as lembranças
moram adormecidas.
Desisto das crenças
enquanto as fendas
não fecham,
as lágrimas
não secam
e as dádivas
não chegam.
Preparo a colheita
sobre a terra arrasada,
a herança do nada
que ficou guardada
em teus lamentos.
E quanto tudo
estiver florido,
te darei o vento,
que com o passar do tempo,
semeará tua estrada
com as respostas
que você não consegue
compreender.

by Cristian Ribas


terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Rarefeito (poema)




Não sei o que pensar.
Melhor sentar
em algum canto
e rezar
pra algum santo
que tenha respostas
que não quero aceitar.
Apenas respirar
e deixar o ar
purificar
minha mente,
que anda dormente
por petrificar
meu peito.
É um ar rarefeito,
que falta aos pulmões
e separou os corações
sem que as razões
fizessem sentido.
Sinto os efeitos
sem antídotos,
meus defeitos
ecoando em uníssono
sem que os sentimentos 
te alcancem.
E o que me resta,
é observar pela fresta
a festa
de quem me deixou
sozinho.

by Cristian Ribas

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O Último Trem (poema)




Não vi
o trem partir
e você sair
sem se despedir.
Estava distraído,
no crescer do trigo,
no debulhar do milho,
deixando o brilho
cegar meus olhos
e não ver o abismo
entre nós e o egoísmo.
Perdi teu abrigo.
Teu sorriso cintilante,
tuas nuances
escritas no antes
e impressas no agora,
deixando minha alma
de fora
dessa ânfora esquecida.
Não consigo te imaginar
sem esse último olhar
da paixão adormecida.
Pois, se é pra ficar,
te deixo levar
o amor que sempre 
estará
no melhor 
de mim.

by Cristian Ribas

O Estrangeiro (poema)




Não vou invadir
tua privacidade.
Vou apenas sorrir
por ser aquela saudade
que te visita sem cerimônia,
que acalma a insônia
com minha bondade.
Que elimina a ansiedade,
te abraça nas sombras
e te dá tranqüilidade.
Sou só um passageiro
da tua viagem,
que te ajudou com a bagagem
quando tudo parecia
sem paradeiro.
Sei que hoje sou estrangeiro,
em teu corpo,
em teu gosto,
em teu rosto.
Mas você me sente absorto,
descansando em tua alma,
resgatando os karmas
e te deixando boas lembranças.
Pois, quando tudo parecer
 frio e distante,
você vai lembrar do antes,
do amor habitante
de tuas fronteiras.
E se sentirá inteira,
ignorando as besteiras
que teus medos criaram.


Cristian Ribas

A Sinfonia (poema)




Não tenho
o dom da premonição.
Apenas permito
que meu coração
abra caminhos
e seja mais sábio
que minha razão. 
O mundo está aberto,
em teorias difusas
e princípios incertos.
Ideologias confusas
que tornam nossa evolução
em retrocesso.
Tudo é conflito
e nada é aceitação.
Tudo parece raso
pela falta de compreensão.
Nesses momentos,
quando tudo se torna ego,
procuro teu abraço
e te sinto perto.
Pois somos além da aparência.
Somos o amor
e a consequência 
de nossos gestos.
Somos a sintonia,
a empatia,
a simetria,
além da tecnologia.
Somos a sinfonia
que se toca,
que se sente
e que é inerente
às nossas vontades.
Você é a verdade
e seus encantos,
quando a luz se apaga
e a noite divaga
com o que sonhamos.

Cristian Ribas

sábado, 10 de dezembro de 2016

Um Novo Horizonte (poema)





Deixo a folha em branco
acreditando
que as palavras surgirão
e as cores virão
pintando um novo horizonte.
Não sei 
se já te falei 
sobre os dissabores
dos amores
que não voltarão.
Ou da solidão
resultante da ingratidão
que o medo de alguém
te provocou.
Esquece e vem
clarear minha noite
em homenagem
a sorte dos desencontros.
Se não entendeu,
te explico de novo,
mas calado,
segurando sua mão,
com um beijo roubado
enquanto o destino
ignora o passado
e nos deixa 
de lado.

by Cristian Ribas

O Antídoto (poema)




Estou trancado
em meu peito,
refém dos defeitos
que você me deixou.
Vago pela sala,
de mãos amarradas,
voz amordaçada,
ignorando a estrada
que ficou abandonada
por teus passos. 
Busco no nada
a palavra que liberta,
a porta aberta,
a medida certa,
pra descobrir 
as respostas.
E nessa incoerência
do consolo da ausência
não encontro sentindo.
Então, fica comigo,
enquanto fingimos
que o amor é o antídoto
de todas as dores.

by Cristian Ribas

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Estrelas Perdidas (poema)




Melhor ir dormir
e admitir
que não sei
o que fazer.
Melhor adormecer
e esquecer
dos meus sentidos,
fechar os olhos,
tapar os ouvidos
enquanto os pensamentos
viajam no infinito.
Fico sem jeito
com essa dor no peito
que não me abandona
nessa noite 
de estrelas perdidas,
raros cometas
e suas despedidas.
E quando amanhecer,
o tempo vai trazer
a cura dessas feridas.

by Cristian Ribas

Reticências (poema)







É estranho caminhar
sem segurar
sua mão
e refletir nas vidraças
a solidão.
E não importa o que eu faça,
minhas piadas sem graça
sentem falta
do teu riso.
O silêncio necessita
da filosofia infinita
de nossas conversas.
Meu olhar dispersa
se tua beleza
me deixou a tristeza
entre as frestas.
Meu abraço
encontra o vácuo
pra se aquecer
ao adormecer
na ausência.
E com reticências,
recomeço pelo fim,
sabendo que em mim
não há mais crenças.
Apenas a indiferença
da esperança
que termina.

by Cristian Ribas

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O Universo (poema)




Desligo a TV,
silencio o ambiente
e vejo à minha frente
um rosto envelhecido
com coração adolescente.
Esquecendo do tempo,
transformando em fragmento
o que parecia intransponível.
Dando formas aos sonhos,
rasgando a noite,
construindo pontes
e descansando no abraço.
Percorrendo o amor
e seus caminhos,
abandonando rótulos
e sendo essência.
E não é questão de generosidade,
mas de sobrevivência.
Pois, se ainda respiro,
ainda temos motivos
pra seguir,
algo a se construir,
evoluir
e deixar aos que virão.
Por isso, meu coração
não tem idade.
Apenas me dê a mão
e fique ao meu lado
enquanto o mundo se move
e você colore
o meu universo.

By Cristian Ribas

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Seu Dicionário (poema)




Procuro a palavra
que se apaga
em seu dicionário.
Como uma foto embaçada
que ficou guardada
em seu diário
e você diz desconhecer.
Por mais que tente,
não há como remover
o horizonte em teu olhar,
esquecer a música 
que te fez dançar
ou a mão que te levou
a outro lugar.
Pode ignorar, mentir, fingir, ,
mas eu estarei aí,
dentro de ti,
com meu jeito único
de te fazer sorrir.
E quando o tempo passar,
saberá que amor
nunca irá
se apagar.

by Cristian Ribas

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A Armadilha (poema)





Observo lentamente
tudo o que transcende
meus instintos.
Teu mexer no cabelo,
tua mão nos joelhos,
o esconder de seus olhos
enquanto sorri 
com teu jogo.
Me perco 
em cada contorno
do teu corpo
e me abandono
em cada armadilha
de tua conquista.
Disfarço com a revista,
brinco de equilibrista
e me deixo cair
de amores.
Pois quero minhas cores
em teu quadro,
invadir o teu quarto
e adormecer 
em teu prazer.
E quando amanhecer,
ainda estarei ao seu lado,
enfeitiçado,
sonhando
acordado.

by Cristian Ribas

Ampulheta (poema)




Não é a fome
que me consome
enquanto o tempo some
na ampulheta.
São os olhares sem nome,
o silêncio do telefone,
a paisagem sem cores
que o esquecimento inventa.
 Pela tarde cinzenta,
nas ruas que ninguém freqüenta,
deslizo meus passos
como rastros
sem destino.
Como um hino,
que todos conhecem
mas ninguém quer cantar.
E quando o natal chegar
ninguém vai se importar
aonde estou.


by Cristian Ribas

Ornamento (poema)




Acordei te procurando.
No abraço vazio 
e nos sonhos brandos
que despertam os sentidos.
De olhos fechados,
te desejo ao meu lado,
com teu cheiro impregnado
nas roupas de cama.
Gosto da calma
da tua respiração,
de ouvir teu coração
junto ao meu.
De sentir o corpo colado,
tua pele arrepiada
com o meu contato.
Teu gemido preguiçoso
que se torna mais gostoso
no adormecer do tempo.
Ignoramos o vento,
o frio ou a chuva.
Deixamos ser divina
qualquer sinfonia
que ecoa na rua.
Pois nesse momento
o que está lá fora
é um simples ornamento
do que sinto por você
aqui dentro.

Cristian Ribas

domingo, 4 de dezembro de 2016

Um Longo Dezembro (poema)





O que há em meus olhos
além dos teus sonhos
que se perderam?
Um sorriso opaco,
sem o fino traço
que se esqueceu
que os medos 
venceram.
Em passos lentos,
ignoro o caminho
que me deixa sozinho
sem paradeiro.
Um destino estrangeiro
que se finge hospitaleiro
pra eu chamar de lar.
Meu coração
está sem lugar,
fora do ar,
num longo dezembro.
Sem brindes ou festas,
fogos ou promessas.
Apenas um lamento
esperando o tempo
passar.

by Cristian Ribas

Além do Antes (poema)




Abandono o quarto
e observo os gatos
que se esparramam no sofá.
Sentado em meu alento,
abandono o movimento
pra descobrir
onde meu coração está.
Ir além
da noite quente,
do barulho do trem,
do desejo indecente
de quem
parece inocente
e entrega
todos os pecados.
Já foi questão de espera,
ocasião de domar a fera
e moldar uma nova era
em seu próprio instante.
É ir além do antes
e não atravessar o amanhã.
É tão somente,
ser seu hoje.
Nas madrugadas infinitas,
nas piadas sem graça
e na preguiça dividida.
Você é mais bonita
em cada novo olhar,
e torna o imaginar
muito aquém da realidade.
Você é mais que paisagem.
É a ponte 
que me lançou da margem
e a fonte
que me curou da miragem.
E quando o dia amanhecer
é em você
que meu mundo
se encontra.

by Cristian Ribas

sábado, 3 de dezembro de 2016

O Colapso (poema)





Deixo o silêncio
calar os pensamentos
que não quero ouvir.
Não posso admitir
que os sentimentos
teimem em me ferir
em cada lapso,
fragmento,
traço
ou qualquer outro 
colapso
que povoe 
minhas lembranças.
Minha esperança
é o esquecimento,
um apagar lento
da minha história,
como uma joia
levada pelo vento
e perdida no horizonte.
E quando a noite partir,
que eu possa sorrir
de tudo que perdi.

by Cristian Ribas

As Respostas (poema)






Qual é a lição
que preciso aprender
e meu coração
não consegue entender?
Entre gratidão e abandono,
despertar da falta de sono,
reconstruir nos escombros
sem a sua mão.
É ter a solidão
como companheira,
delimitando as fronteiras
que não devo ultrapassar
sem encontrar 
a razão.
É regar o deserto
sem ninguém por perto
com as lágrimas que derramei.
Ainda não sei
o que parece certo,
lacrar meu peito
ou ser descoberto
por te fazer o bem
e ser julgado
como culpado
por amar.
Me jogar
num calabouço
porque não ouço
tuas mentiras
e não ver saídas
nesse labirinto
que você criou.
Então, melhor me calar
e deixar que o tempo
traga as respostas
que ainda não tenho.

by Cristian Ribas

As Ironias da Vida (poema)





Deixa eu fechar os olhos,
abrir a alma,
iluminar as sombras,
alimentar a calma,
navegar nas palavras e,
antes de amanhecer,
lentamente,
estar e ser
um pouco de você.
Seja nas frases desconexas,
nas pesquisas matinais,
nas piadas sem graça
ou nas cantadas sem charme.
Estou no velho rock'n roll,
ou na nova canção
que desafino sem notar.
Estou no jeito doce de olhar,
mudando os móveis de lugar,
desafiando escadarias,
segurando sua mão na travessia
e admirando sua paisagem.
Estou no silêncio do trapiche,
no sabor do café,
nos livros da estante
e nos planos de viagem.
Estou na bagagem
que parecia perdida,
no temporal na estrada
ou na alegria contida
que não consegue esconder.
Estou nas ironias da vida.
Na beleza da pia entupida,
das crianças brincando,
no prato de lentilha
e de todas as histórias,
que ainda iremos
vivenciar.

By Cristian Ribas

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Sem Baladas (poema)





Não quero ouvir baladas
nessa madrugada
de ideias vagas
e vinho seco.
Quero saborear a solidão
sem adereços,
encarar a dor com apreço
enquanto me despeço
desta lamentação.
Preciso mergulhar no erro,
compreender o medo
de quem recebeu carinho
e devolveu ingratidão.
Deixar a escuridão
clarear a mente,
ficar dormente,
e lentamente,
partir de mãos vazias.
Esquecer da madrugada fria
enquanto o dia
bate a porta.
Mesmo percorrendo vias tortas,
me desligar do que me fere,
pois, o que realmente importa
é o amor que nos difere. 
Vou rasgar o calendário,
me perder no horário
quando nada faz sentido,
E quando me encontrar,
o tempo vai apagar
todas as injustiças.

by Cristian Ribas