terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Trem Estelar (poema)





Não tenho certeza
pra onde te levar.
Só sei
que quero te acompanhar
navegando em teu mar
ou num trem estelar,
refletindo coisas belas
em seu olhar.
Quero te tocar sem pressa,
te admirar pelas frestas
e despertar contigo.
Cochichar em teu ouvido
meu desejo proibido
e te arrancar risos
de minhas besteiras.
Quero revirar tua cama
em plena segunda-feira,
te distrair com asneiras
e ser teu porto seguro.
E quando mundo
reescrever o futuro,
serei teu presente.
Nas crenças que se perdem
e tudo que se eternizou
na gente.

by Cristian Ribas

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Tua Represa (poema)




Não duvide
dos meus planos
de arrancar teus panos
da forma mais sublime
enquanto insiste
a me ignorar
por aparência.
Não pense
que é indecência
me ajoelhar à tua beleza
e beber na tua essência.
Quero teu orvalho,
vulgarizar teu vocabulário,
ouvir teus absurdos
quando toco o mais fundo
que você já sentiu.
Quero quebrar
tua represa
e fazer correr teu rio
a cada novo arrepio
que te provoco.
E enquanto estiver esgotada,
com o melhor dos sorrisos,
serei teu abrigo,
teu paraíso
até adormecer.


by Cristian Ribas 

Outra História (poema)




Estou perdendo a memória,
dentro de uma insônia
de sonhos vivos,
que ficaram partidos
ao adormecer.
Não há
como acordar
e reviver,
apagar
e redesenhar,
o que já foi traçado.
Em atos vagos,
te vejo num passado
tão distante e sombreado
que não alcançam
meus passos.
E no caminho presente,
te encontro entre ausentes,
em medos inconseqüentes
descritas em outra história,
na ignorância
de quem não ama
a si própria.

by Cristian Ribas

domingo, 8 de janeiro de 2017

Catarse (poema)




Deixo escapar a frase,
num desenho sem alarde
da catarse
que me prende
em teus sentidos.
Abandonei o temporal
do teu abrigo
e me tornei inimigo
do meu próprio ego.
A ausência
de tuas palavras
me preenche
com o eco 
dos teus atos.
E nos fatos
que se sobrepõem
à gratidão,
reconheço o valor
do meu coração
e que nenhuma dor
pode corrompê-lo.
Enquanto você
se entrega ao medo,
deixarei o zelo
pra encarar a realidade.
E a verdade,
é que estou purificado
do que parecia amor
mas era tão somente
tua solidão.

by Cristian Ribas

sábado, 7 de janeiro de 2017

Tua Caverna (poema)




Não consigo te resgatar
da tua caverna
e das pedras
que te prendem.
Está na sua frente,
a resposta latente,
límpida e coerente,
que você insiste ignorar.
É confortável
fechar os olhos,
desenhar sonhos
pra não ver a realidade.
Mas será inevitável
confrontar a adversidade,
aprender com a humildade
e seguir adiante.
Então, se as sombras 
te cobrem 
e a luz te cega,
vou embora.
Ficarei lá fora
com o sol em meu rosto,
seguindo meu destino
desejando te encontrar 
pelo caminho.

by Cristian Ribas

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Panaceia (poema)




Ando sem ideias,
vítima da odisseia
do isolamento dos dias.
Vejo a rebeldia
se entregar
à melancolia,
observando a rotina
e seu imenso labirinto.
Deixo o que sinto
guardado em algum canto
até passarem os anos
e tudo fazer sentido.
E nessa ausência de heroísmo,
você é minha panaceia,
é a bondade em minhas veias
e o amor em minhas entranhas.
É o ânimo pra cada façanha,
a coragem da paciência
e a luz da crença.
Pois mesmo 
sem sua presença,
a tua essência
é a esperança
de que nada 
será em vão.

by Cristian Ribas

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Fendas (poema)







Me desculpe
se não lembro 
de você.
Se meu olhar,
ao te ver,
não se ilumina
ou se minha pele,
perto da sua,
não arrepia.
Me perdoa,
se a lembrança voa
e te encontra
sem brilho.
O sentimento 
saiu dos trilhos
e caiu num precipício
onde não foi resgatado.
Lamento pelo gelo
que congelou meu peito
a seu respeito.
E por mais 
que eu me defenda,
você sempre encontra fendas
e me deixa vulnerável.
É porque
te amei demais,
pra voltar atrás
e sair machucado
novamente.

by Cristian Ribas

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Aconchego (poema)



Não precisa conversar.
Apenas venha me abraçar
enquanto a noite 
não tem pressa.
Ignore meus defeitos
e me aconchegue
com teu jeito,
tirando do meu peito
qualquer mágoa.
Me abençoe
com a dádiva
do teu colo,
onde as lástimas
caem ao solo
e me enfeitiço
com teu cheiro.
Me deixe invadir
o teu segredo,
superar 
os teus anseios
e saciar 
qualquer desejo.
Não diga nada.
Apenas entre pela sala
enquanto meu corpo fala
dentro de ti.

by Cristian Ribas.

Descrição (poema)




Não posso descrever
quem é você
perante meus olhos.
Melhor senti-la,
como uma vida
que me abraça,
me absolve
e me acalma.
Ou como um sonho,
que se acorda aos poucos
e não se quer despertar.
É te admirar calado,
ficando de lado,
enquanto o caminho
desafia nossos destinos.
E sem saber
te desenhar,
vou deixar
minha imaginação livre.
Pois quando partir
sem se despedir
ela saberá
onde te encontrar.

by Cristian Ribas

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Subserviência (poema)




Não vou tentar
disfarçar
o meu olhar
ao seu cruzar
de pernas
ou ignorar
suas curvas
na forma abrupta
que derretem 
meus sentidos.
Vou desejar
tudo aquilo
que ele revela
e me entregar
sem resistência
a seus jogos 
de subserviência.
Você sabe desafiar
minha eloquência
e aflorar 
minha indecência
com um simples gesto.
Não há penitência
ao me hipnotizar
com seu mexer de cabelos,
lábios mordidos
ou seu enigmático gemido.
Não sei 
se sou herói ou bandido,
ou se serei banido
do seu paraíso.
Pois teu amor é bendito,
ao te tocar
e mergulhar
no teu prazer infinito.

by Cristian Ribas

Reconstrução (poema)





Não sei o que dizer
sobre o que restou em mim
e o que se foi em você.
Talvez, não seja necessário
mais escrever
sobre meu jeito ordinário
de te querer.
Apenas compreender
que não há mais tempo
pra termos medo
ou ficarmos com receio
do que existiu.
O que era inteiro
se partiu.
O que era irretocável
nos feriu.
E enquanto ignoramos
nossos demônios,
o mundo segue girando
e nos deixando atônitos
por ignorar a realidade
quando a necessidade
é tão somente
coragem.
Então, só nos resta 
a reconstrução
e reencontrar a velha paixão
por nós mesmos.

by Cristian Ribas

sábado, 31 de dezembro de 2016

A Evolução (poema)




Não vou lhe contar
sobre o lugar
onde guardei
os sonhos.
Só venha me abraçar
pra apagar
o que ficou estranho
e deixar que a vida
role os dados,
enquanto o universo
muda os planos.
Melhor deixar a fé
interpretar os desígnios
e transformar o destino
naquilo que esperamos.
Pois ainda está aqui dentro,
cheio de amor,
lapidado com sofrimento,
moldado no fogo
e se transformando.
Não importa a hora,
o dia ou ano.
Somos a evolução do tempo
e de cada sentimento
de todos que cruzaram
nosso caminho.

by Cristian Ribas

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Estático (poema)



Não posso ser
quem não sou
ou ir além
de onde estou.
Sou esse retrato,
de moldura antiga
e cores vívidas
num mundo monocromático.
Sigo no meu passo
enquanto tudo parece estático,
sentimentos plásticos
e desejos descartáveis.
No vazio da tristeza,
mantenho a beleza
da minha natureza.
Enquanto tudo tem
o mesmo padrão 
e formato,
desafio a métrica
perdendo a razão
e pagando o pato.
E ao ignorar
meus atos,
deixo os fatos
ao sabor do vento
para o tempo
me transformar
em saudade.

Cristian Ribas 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Lacunas (poema)





Toque em meu peito
e corrija os defeitos
que o tempo
fez questão
de ignorar.
Entre dúvidas e crenças,
feridas e fendas,
sei que amar
sempre será
a única cura.
Mesmo que haja
alguma fissura,
pequenas lacunas
que teimam
em permanecer.
E nesse querer
de seguir adiante,
só o amor
tem o dom de preencher
o que permanece
isolado.


Cristian Ribas

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Nossos Dias (poema)




É estranho
te ver
e não reconhecer.
Ignorar teu cheiro,
a maciez da tua pele,
o arrepio de teus pelos,
o formato dos seios
perfeitos
em minhas mãos.
Não há mais brilho
em teu olhar
e o caminhar
não é mais vívido
como outrora.
Não há mais céu
em tua boca
e nem tua roupa
cai em minha presença.
Não há sequência
no carinho
ou melodia
em teu gemido.
Não provoco teu sorriso
e não te encanto
com minhas teorias.
Minha mão
passeia vazia.
Ficou com a solidão
na tarde fria
até anoitecer
no coração
nossos dias.

by Cristian Ribas

sábado, 24 de dezembro de 2016

A Comemoração (poema)





Não sinto vontade
de lavar a louça,
trocar de roupa
ou qualquer necessidade
que me remeta à vaidade
de te esperar.
Você não vai chegar
para jantar
ou pedir 
pra te buscar.
Não preciso
varrer a casa,
ajeitar a sala
ou arrumar a cama.
Melhor sentar
no sofá,
ignorar os festejos
e ficar em silêncio,
desejando o desencanto
se apagar.
Pois, não há motivos
pra abrir o vinho.
Afinal,
o que comemorar?
Fiquei sozinho
pelo caminho
escrevendo com espinhos
nossos pecados.

by Cristian Ribas

Uma Noite Qualquer (poema)




Não há
o que comemorar
no vazio 
da mesa de jantar,
na ausência
do seu olhar
ou no abraço
que não vai 
me abrigar.
É uma noite qualquer,
na solidão de meus atos,
onde os fogos
não fazem sentido.
Não há significado
nesse simbolismo importado,
no comércio forçado
a nos explorar
com hipocrisia
e ironia,
tentando disfarçar
o que está dentro,
e não se consegue enxergar.
E quando tudo acabar,
nada mudará.
É natal?
Desculpe,
mas tudo segue
normal.

by Cristian Ribas 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Estrangeiro (poema)



Ignoro a origem
dessa vertigem
em meus olhos.
Como uma fuligem
que cobre os sonhos,
anula os planos
e deixa a bagagem
mais pesada.
Faz caminhar pela estrada
de cabeça baixa
pra poeira
não provocar lágrimas.
Em cada passo,
o cansaço nos joga à beira
de nossa própria fronteira.
E no passar do tempo,
me torno estrangeiro
em teu pensamento
e no amor
que existiu
em teu peito.

by Cristian Ribas

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A Sentença (poema)




Sentado em meu canto
ignoro os santos
que cultivaram
meu caminho
com seus espinhos.
Fico sozinho,
escondendo o sorriso
por não ver motivo
em suas festas.
Pelas frestas,
ignoro a esperança
como sentença
do que me resta.
Uma herança deserta
que pela porta aberta
te deixou partir.
E agora,
que te vejo lá fora,
também devo ir.
Reconstruir a alma,
cicatrizar as chagas
e acreditar
que o melhor
ainda está por vir.

by Cristian Ribas

Preto e Branco (poema)




Quem é você
que teima 
em se esconder
em seu passado?
Como um filme 
em preto e branco
em que o pranto
ficou guardado
ou um futuro
com os olhos vendados
num muro pintado
com os seus pecados.
Sua alma brilha
além da decepção
e a escuridão
vai se dissipar.
Basta acreditar
no que já foi traçado
e no legado
que vai ficar.
Amar
é encontrar
o melhor de si
no outro
e refletir
tudo de bom
que ainda
está por vir.

by Cristian Ribas